Monthly Archives: July 2016

Escalando os Pirineus

Atravessar a fronteira entre França e Espanha não foi das mais fáceis e tranquilas experiências da minha vida. Ao contrário. Sofri com o frio, a chuva e a neve. Senti-me indefesa em meio àquela natureza feroz. Pela primeira vez me questionei o que lá estava fazendo…

Mas antes de chegar a esse ponto, algumas considerações. Ainda no albergue em SJPP, o carioca/gaúcho Fernando ao colocar os olhos na minha mochila, bradou sem pestanejar: “Carol, sua mochila está muito pesada. Melhor esvaziá-la ou não conseguirá subir os Pirineus”. O primeiro susto… Parecia que minha experiência de desapego começaria antes mesmo de eu começar a caminhar. E assim foi.

Mochila na saída do Brasil

Mochila na saída do Brasil

Voltei ao meu quarto e analisei o que tiraria da mochila…sem muito tempo para refletir, tirei o saco de castanhas de caju, as barras de proteína e sachês de carboidratos, um perfume em embalagem plástica, minha Bíblia – que havia ganhado da tia Jô no meu aniversário de 15 anos (!)… Ela era daquelas de folhas finas que quando compactadas fica bem pesadinha. Na verdade, tinha a consciência de que não era minha Bíblia que me ajudaria a realizar o Caminho de Santiago, mas muito mais a minha conexão com Ele. Desapeguei! Distribuí os alimentos com os outros peregrinos e deixei minha Bíblia na sessão de livros do albergue.

Em SJPP, em frente ao Hostel Beilari

Em SJPP, em frente ao Hostel Beilari

Ainda no Beilari, ouvi alguns peregrinos discutindo se fariam a Rota de Napoleão (mais comum) ou a de Valcarlos (pouco percorrida) para chegar a Roncesvalles; se dormiriam no Orisson ou seguiriam até Roncesvalles no mesmo dia. Sabe quando você faz uma cara de interrogação? Tenho certeza que foi essa a minha reação ao ouvir aquela conversa. Eu não sabia de nada daquilo…Bem, pelo menos não estava tão gravado na minha mente tantos detalhes…rs.

Orisson é um pequeno local com albergue e restaurante que fica na subida para os Pirineus. Muitos peregrinos optam por lá parar e no dia seguinte subir os Pirineus. Quando me perguntaram até onde eu iria, dizia, sem pestanejar, até Roncesvalles. rs. Coisa de principiante que não leu muitos guias do Caminho, pensava comigo mesma, e que não tinha alternativa àquela altura. No final, até que agradeci por não ter sabido desta opção a tempo de escalar os Pirineus em um só dia, pois pude testar meus limites e ver o quão forte posso ser quanto instada a isso.

O fato é que o Orisson acabou me marcando. Antes de chegar ao único albergue/restaurante do local, encontrei a Jelena, da Croácia, que se tornaria meu anjo da guarda no Caminho <3, assim como reencontrei o Renato, do Brasil, que seria um grande apoio e em que daria o abraço ao chegar em Santiago, e a Finja, da Alemanha, com quem havia estado no albergue no dia anterior.

Na foto: eu, Renato, Finja (de preto) e Jelena (de casaco rosa).

Na foto: eu, Renato, Finja (de preto) e Jelena (de casaco rosa).

Sabe aquela empolgação inicial que te faz realizar o inimaginável!? É assim que eu caracterizo o meu primeiro dia no Caminho. Escrevendo do conforto da minha casa, hoje, eu penso e repenso como eu fui capaz daquilo, especialmente considerando minha parca preparação…

A etapa de SJPP a Roncesvalles, para a quase unanimidade dos peregrinos, é a mais difícil de todas. São 27,1 km, dos quais 22 km são de pura subida. Se caminha de 200m de altitude em SJPP até 1430m de altitude em Col Lepoeder, para depois descer até 950m de altitude, em Roncesvalles.

O que me movia? A fé e a vontade de realizar.

O que me movia? A fé e a vontade de realizar.

Recordo que no pico chovia, nevava, a visibilidade era bem ruim. A companhia da Jelena foi salutar, pois pudemos conversar e desviar um pouco a tensão daquele momento.

Jelena e eu atravessando os Pirineus.

Jelena e eu atravessando os Pirineus.

Já na descida do trecho, meus joelhos me fizeram lembrar da condromalácia patelar hereditária, que no passado havia sido tratada. Tome choro! Chorava de dor e de emoção por avistar o dia ser tomado por um lindo azul que contrastava com o verde e o marrom das árvores e folhas. Lembrei daquelas pessoas que são mais caras ao meu coração.

Em Roncesvalles, hospedei-me num grande e novo albergue local. A infraestrutura impressionava. Dormi em uma cabine individual, com mais de duas tomadas só para mim. Rs. Aquele seria um dos melhores albergues de todo o Caminho.

Detalhes do albergue em Roncesvalles.

Detalhes do albergue em Roncesvalles.

Ainda tentando “pegar as manhas” de peregrina, observei o quanto precisaria ser prática e objetiva ao ir aos banheiros coletivos, ao deixar minhas coisas sempre que possível organizadas e na tomada de banho. Em geral, os peregrinos somente tomam um banho por dia, que é quando chegam à cidade de destino. A minha conclusão é que isso se deve ao fato de que os pés precisam estar bem secos pela manhã, a fim de que sejam preparados para enfrentar o dia de caminhada. Eventual umidade combinada com o atrito do pé, com a meia e a bota podem gerar bolhas. Fora isso, o fato de que em geral os dias amanhecem gelados.

O fato é que eu segui o fluxo… Sou capaz de dizer que tomei 31 banhos durante os 31 dias no Caminho de Santiago (!) rs. A propósito, esse foi o segundo exercício de desapego que o percurso me impôs. Os hábitos tupiniquins ficaram para quando eu retornei ao Brasil… =p

A Jornada até Saint Jean Pied de Port (SJPP)

Não foi fácil chegar a Saint Jean, de onde comecei efetivamente o meu Caminho. Digo, efetivamente, pois há quem diga que se começa a caminhar a Santiago de Compostela quando se decide por fazê-lo. Coisas do Caminho de Santiago… 

O selo da credencial do peregrino em SJPP

O selo da credencial do peregrino em SJPP

Eu sabia que tinha duas opções para chegar a SJPP: chegando de avião por Madri ou por Paris. Me decidi a ir por Madri, pois a logística, de alguma forma, me pareceu melhor, especialmente depois de assistir uma palestra online sobre o Caminho.

O meu trajeto foi o seguinte (cuidado para não cansar! Haha!): Voei de Brasília até o Rio de Janeiro; depois do Rio a Paris e, finalmente, de Paris a Madri. Em Madri, peguei um trem a Pamplona e, na sequência, uma van/táxi até Saint Jean Pied de Port. Saí de Brasília às 11h da manhã do dia 21 de abril e cheguei a SJPP, às 20h, do dia 22 de abril. Ufa!

No aeroporto de Paris

No aeroporto de Paris

Fui eu mesma quem comprei, reservei e preparei todo esse passo-a-passo pela internet. Não havia muito tempo até a data da viagem, então, tratei de comprar e reservar tudo em dois ou três dias.

Voei de Brasília a Madri de Airfrance, pois os horários oferecidos eram os melhores para mim. Chegando em Madri peguei um ônibus, que sai mesmo do aeroporto, até a estação de trem ATOCHA. (Achei o ônibus mais prático, pois não tinha muito tempo para entender a logística do metrô madrileno. Eram mais ou menos 3 horas até a partida do trem para Pamplona).

Comprei o bilhete de trem ainda no Brasil pela raileurope, pelo próprio site da companhia em português. Considerei a hora que chegaria em Madri e escolhi o horário que partiria a Pamplona, dando uma margem de segurança para eventual atraso.

Campo de canola visto de dentro do trem

Campo de canola visto de dentro do trem

Cheguei cedo na estação ainda a tempo de conversar com uma espanhola, de nome Lúcia, que se aproximara para compartilhar a tomada que eu estava usando e confirmar a plataforma do trem que deveria pegar. Conversa vai, conversa vem, contei a ela que estava a caminho de SJPP para iniciar o Caminho de Santiago no dia seguinte e ela, gentilmente, me deu o número de celular para o caso de precisar de alguma ajuda. Disse ainda que pegaria esse mesmo trem e que eu podia acompanha-la para evitar qualquer imprevisto.

Cheguei em Pamplona no horário devidamente anunciado, 18h e uma fração. Na estação de trem em Pamplona, já me aguardava o Pedro, motorista de táxi, com quem eu havia mantido contato, através do número de contato oferecido pela Associação dos Amigos do Caminho de Santiago do Brasil, a qual tive o cuidado de me associar previamente.

Estação de trem de Pamplona

Estação de trem de Pamplona

O Pedro me levou até SJPP e durante o percurso de mais ou menos 2 horas, pudemos conversar um pouco. Eu questionava a ele onde estavam os peregrinos, pois não visualizava nenhum pela janela da van. Ele, calmamente, respondia que àquela hora quase todos já estavam a repousar depois do cansativo dia. Também perguntei pelos Pirineus (cordilheira cujos montes formam a fronteira natural entre a França e a Espanha), o qual, enigmaticamente dizia que eu veria no dia seguinte…

Cheguei a SJPP, por volta das 20h, direto para o albergue Beilari (www.beilari.info), que o mesmo Pedro tinha me ajudado a reservar. Eu não tinha feito qualquer reserva de albergue. No local, fui muito bem recebida por todos os que lá estavam. Já era hora do jantar (sopa de entrada, tortilha de prato principal e torta de limão como sobremesa)! Mal sabia eu que com aquelas pessoas manteria uma intensa ligação durante os mais de 30 dias de caminhada. Mais uma vez, comprovo “que nada, nem ninguém é por acaso”.

No hostel Beilari na chegada a SJPP

No hostel Beilari na chegada a SJPP

Os presságios de uma mágica viagem

Antes mesmo de deixar Brasília, vivenciei duas experiências que me sinalizaram que situações especiais seriam a tônica durante o meu caminho a Santiago de Compostela.

O primeiro deles foi desapegar dos meus cabelos. Depois de muito refletir, decidi que a hora de retomar às origens capilares cacheadas (rs.) seria antes da viagem. Por isso, duas horas antes do horário programado para estar no Aeroporto Juscelino Kubitschek, fui ao salão do Luís, aqui em Águas Claras mesmo, e disse que eu estava pronta para cortar os cabelos, como havíamos conversado algumas vezes antes. Mostrei o modelo de corte que achei que ficaria mais legal, ouvi suas sugestões e Voilá! Desejo realizado. Naquele momento, conclui que, mais cedo do que imaginava, me permitiria desapegar da minha “velha versão”, tudo com muita serenidade e sem exasperar.

Adeus, madeixas!

Adeus, madeixas!

O segundo momento, o qual reputo, “fora de órbita”, foi quando precisei pedir a um estranho que me fizesse um favor. Explico.

Como cartesiana que sou, programei tudo o que deveria fazer nos dias que antecederam, bem como no dia mesmo da viagem. Até então, tudo estava sob meu controle. Queria enviar um livro para minha prima Jéssica em Teresina e pensei em fazer isso através da agência dos Correios localizada no próprio aeroporto. Acontece que eu só me toquei quando li o bilhete afixado na porta da agência que aquele dia era feriado e que, por isso, não haveria expediente no local. Puxa! Pense na frustração… Eu só estava com uma bolsa de lona, pois a mochila já havia sido despachada, que não era nem um pouco resistente a mais peso. Cogitei jogar a encomenda no lixo, pois se assim não fosse, deveria leva-la comigo para a Espanha e àquela altura, não podia mais acrescentar uma grama que fosse. Eis que me veio o insight de pedir que algum estranho que trabalhasse no aeroporto, postasse nos Correios no dia seguinte para mim. Mas quem?

Andando de um lado a outro não percebi ninguém que estivesse com feição “aberta” para receber aquela proposta… Fui andando, seguindo meu rumo, até porque o embarque já se avizinhava, quando vi a senhora Najla, que trabalha no detector de metais do aeroporto. Não tive dúvidas. A ela pediria esse favor/gentileza.

Soou até engraçado quando expliquei toda a situação e pedi a ela que postasse aquele pacote para mim no dia seguinte. Ela, que certamente não estava acostumada com um pedido daquele, a princípio, estranhou, mas recebeu bem minha argumentação. Chamou seu chefe e explicou a ele o que se passava. Mais uma vez, tive de usar minha retórica (rs.). O fato é que eles concordaram com o meu pedido. Para isso, passaram meu pacote no detector de metais, e acondicionaram na sala de segurança. Enquanto isso, eu entregava o valor da encomenda à dona Najla e prometia rezar por ela durante o Caminho. Trocamos telefones.

Já em Saint Jean Pied de Port, recebi um WhatsApp da própria Najla, com o comprovante da operação e me desejando uma boa viagem. Alguma dúvida de que dona Najla foi por mim lembrada muitas vezes por aquelas terras!? O Caminho de Santiago já começou mostrando a sua face e eu, claro, era só gratidão.

Caminho, aí vu eu!

Caminho, aí vou eu!

O nascimento da ideia

Símbolo do Caminho

Símbolo do Caminho

É engraçado como percorrendo o Caminho de Santiago ou fora dele, a pergunta que mais ouvi foi o que me levou a decidir por fazer aquela peregrinação milenar. Natural a curiosidade, já que a maioria das pessoas não se imagina passar em média oito horas do seu dia, durante trinta dias, mais ou menos, caminhando. Definitivamente, esse não é um plano comum, especialmente, se você vive no Brasil, país cujas opções de lazer dominicais estão consideravelmente atreladas a churrasco, bebida e futebol.

De fato, o meu primeiro contato com o Caminho de Santiago não foi nada comum. E eu até sou grata a isso, pois a minha experiência ficou ainda mais curiosa e cheia de energia e positividade. Foi mesmo uma “teocidência”.

Passando por um momento de difícil tomada de decisão, rezava com muita fé, pedindo a Ele que me fizesse perceber algo, uma inspiração, que me levasse a compreender e tomar consciência de tudo o que acontecia.

Eis que em meados de outubro de 2014, tive contato com uma reportagem da revista Cláudia, a qual fazia uma análise do livro “O Que Eu Sei de Verdade”, da apresentadora norte-americana Oprah Winfrey. Em um determinado trecho, Oprah comentava sobre tomada de decisão e a seguinte citação do montanhista W. H. Murray:

“Enquanto você não estiver comprometido com algo, irá hesitar, querer desistir, e será sempre ineficaz. Em todos os gestos de iniciativa (e criação) reside uma verdade elementar que, quando ignorada, interrompe inúmeros planos e ideias magníficas: no momento em que você se compromete definitivamente com algo, a Providência também entra em ação. Diversas coisas acontecem para ajuda-lo, coisas que jamais teriam ocorrido de outra forma. Toda uma sequência de eventos inicia-se a partir dessa decisão, e você se vê beneficiado por todo tipo de incidentes inesperados, encontros e auxílio material com os quais nenhum homem sequer ousaria sonhar. Aprendi a ter um profundo respeito pelos seguintes versos de Goethe: ‘Se você pode fazer algo, ou sonha que pode, comece a fazê-lo. A ousadia traz inspiração, força e magia consigo’ “.

Como de costume, tomei nota desse trecho num caderninho de inspirações que trago comigo.

Na página seguinte, constava uma reportagem intitulada “Destinos para a alma”. Um dos cinco destinos listados era Santiago de Compostela. Pela primeira vez tomava conhecimento da existência do Caminho de Santiago. A matéria o denominava “clássico da categoria ‘viagens com poder de transformar’” e narrava a história de uma pessoa que precisava desapegar-se da ideia da antiga profissão de empresário para abraçar a de ator. Ao final, indicava o site da Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela (www.santiago.org.br) para maiores informações.

Recordo que, sem demora, liguei o notebook e digitei o site. Estava ávida por descobrir mais informações sobre o Caminho de Santiago. Parecia que algo me chamava a isso. Pois bem. Começando pela homepage, li tudo com muita atenção e curiosidade. Antes de chegar ao seu fim, porém, eis que me deparei novamente com os versos do filósofo Goethe que há pouco havia lido no livro da Oprah. Fique atônita!

Para mim, era como se Deus mesmo estivesse falando comigo. Não sabia se ria ou chorava. Era o meu sinal. O sinal que eu tanto pedi. Era como se Ele dissesse: “Filha, toma a decisão que manda o seu coração, tudo ficará bem”. Eu acreditei nisso e efetivamente tomei as decisões que percebi vinham do meu coração.

Gratidão

Alguns meses depois, já morando e trabalhando em Brasília, soube que no ano de 2016, excepcionalmente, teria dois meses de férias, já que no primeiro ano trabalharia ininterruptamente. Não tive dúvidas. Comprometi-me e decidi que nas minhas primeiras férias faria o Caminho de Santiago.

Comecei a pesquisar mais e mais, comprei o guia do Daniel Agrela (“O guia do viajante do Caminho de Santiago – uma vida em 30 dias”), assisti filme (The Way, com tradução para o português, “Em busca de um caminho”) e documentários (The Road to Santiago, Um Camino de Santiago).

Acontece que a vida nem sempre segue um caminho linear. O ano de 2016 chegou e com ele algumas dúvidas. Faria o Caminho mesmo? Sozinha? Quando exatamente?

Em meio a todos esses questionamentos, efetivamente, decidi-me em meados de março que sairia do Brasil no dia 21 de abril e retornaria em 26 de maio, datas minunciosamente escolhidas já que feriados nacionais de Tiradentes e Corpus Christi. Nesse tempo, conseguiria fazer o Caminho em 33 dias, como o guia do Agrela sugeria.

Conversei com minha chefe, a qual foi super compreensiva e me permitiu dois dias de folga, além dos 30 dias de férias. Sem mais demora, comprei as passagens com os horários que melhor se adequavam ao meu planejamento. Os demais colegas de trabalho logo entraram no clima da preparação. Quando comprei a bota apropriada, compartilhei o momento, levando para que a vissem. A primeira reação de alguns foi até engraçada: “Carol, então você vai mesmo? Olha, você não precisa caminhar os 33 dias. Se ver que já está bom, vai pra Barcelona, pra Madri, pra Suíça…”. Todos rimos muito.

Preta ou marrom?

                                                                                 Preta ou marrom?

Acessórios que fizeram diferença

Acessórios que fizeram diferença

O fato é que, desde o momento em que me comprometi com esse projeto, me dediquei e tentei correr atrás do tempo perdido sem a preparação física. Tinha 40 dias para isso. Então, avisei ao meu instrutor da academia a previsão da empreitada, o qual recomendou um treino de resistência. Também comuniquei à minha nutricionista, que preparou um cardápio diferenciado. As caminhadas no parque passaram a ser mais frequentes.

Com o passar dos dias, os amigos mais próximos, ainda que distantes fisicamente, passaram a se envolver mais e mais… Notava uma clara torcida para que esse sonho virasse realidade. Muitos caminharam comigo, seja através de objetos, de carta, no coração, sem dúvidas.

Caminhada na Água Mineral

Caminhada na Água Mineral com os amigos Fernando e Flávio

Se alguém me perguntasse se eu tinha consciência real de tudo o que viveria no Caminho de Santiago, eu responderia sem titubear que não. Eu não tinha consciência, e acho que isso contribuiu para que tudo acontecesse da forma como aconteceu, como verás nos posts a seguir.