Monthly Archives: October 2016

Eu envio cartões postais

Esse blog foi criado com a finalidade de ser um espaço para compartilhar com família, amigos e anônimos um pouco do que eu chamo de “pequenos sonhos da Carol”, em tradução literal de “carols little dreams”.

Comecei escrevendo sobre o Caminho de Santiago, porque tinha prometido para mim e outras tantas pessoas, que não deixaria o que vivi – e continuo a viver a partir dessa grande experiência – se perder comigo, nas minhas recordações (ainda há muito o que postar sobre ele). No entanto, esse espaço não é apenas sobre o Caminho. Ele vai além.

Antes do Caminho e depois dele, sempre fui uma pessoa movida a sonhos, pequenos e grandes, os quais venho tendo a felicidade de realizar um a um, no meu ritmo. Realizar os 820km do Caminho de Santiago, nas condições em que se deu, foi sim um grande sonho realizado. <3

Paralelamente e conjuntamente a esses pequenos/grandes sonhos, sou movida, diria eu, por pequenas/grandes ações que me fazem agradecer dia após dia a graça de estar viva. É o que me faz acelerar o coração no cotidiano. O que me faz sentir viva e vivendo… Por isso, vou inaugurar hoje a categoria de “cotidiano” aqui no blog. :)

Relacionado a viagens, mas não apenas, o envio e recebimento de cartões postais vêm se tornando uma constante na minha vida, especialmente depois que mudei pro Distrito Federal. Foi uma forma carinhosa que eu e algumas amigas (que também moram em outros Estados) encontramos de nos manter presentes nas vidas umas das outras. Hoje, quase dois anos depois, tenho uma coleção de cartões postais das mais lindas. <3

Postais <3

Sempre que viajo, reservo um espaço na programação do dia para sentar calmamente numa cafeteria e, acompanhada da minha agenda de endereços, escrever cada um dos postais com mensagem particular e direcionada, para depois, como que num ritual, colar cada selo (comprado nas lojinhas de souvernirs ou tabacarias), milimetricamente ajustado ao espaço designado (sim, sou dessas rs.). Finalmente, depois de concluído esse trabalho, dirijo-me, como quem carrega um tesouro, a algum posto dos Correios espalhados pela cidade, para, um a um, deixar partir aquele cartão de papel.

Postal enviado pela Carol Matos, que está morando em Floripa.

Passada a fase do envio, me delicio a esperar as mensagens da família, amigos e namorado, essas mais rápidas via Whatsapp, por exemplo. Vibro com cada reação de surpresa. É como se aquela viagem que há uns dias já chegou ao fim, se eternizasse nas mãos daquelas pessoas que, de uma forma ou de outra, estiveram comigo por onde andei.

Postal enviado pela Mauri quando esteve em Curitiba.

Postal enviado pela Mauri quando esteve em Curitiba.

Para a minha surpresa, por vezes, passo de remetente a destinatária dos cartões. Posso dizer!? Quanta alegria! 😀

Quero muito perpetuar esse hábito. São recordações das mais valiosas que não ocupam tanto espaço físico, mas que geram excesso de felicidade e carinho.

Enviei esse postal para mim mesma quando cheguei a Santiago de Compostela. ;)

Enviei esse postal para mim mesma quando cheguei a Santiago de Compostela. ;)

 

 

Reencontro pós-Caminho de Santiago

Hoje gostaria de dar uma pausa nos posts sobre as minhas impressões e estórias vividas no Caminho de Santiago, para relatar um pouco da experiência que vivi há poucos dias, na Dinamarca, com duas amigas que o caminho a Santiago me presenteou.

Eu já mencionei os seus nomes e como nos conhecemos no post sobre “As amizades no Caminho”. Tratam-se da Jelena e da Helle, duas queridas com quem tive empatia de cara.

Aqui é preciso que se diga: não tivemos muitos dias de convivência durante o Caminho, mas a promessa do reencontro e o desejo de realizar sempre falou mais alto. Foi assim, motivadas por esse espírito, que combinamos de finalmente nos reencontrar, desta vez, na Dinamarca. As três juntas. <3

A Jelena viajaria da Croácia e eu, do Brasil. Na verdade, fiz coincidir que estaria no Velho Continente, de férias, para pegar um vôo low cost para Aarhus, cidade vizinha à Malling, onde a Helle mora. Helle e Jelena me recepcionaram no aeroporto e, se eu tivesse lembrado, teria gravado as suas reações quando saí do portão de desembarque. Foi lindo! Nos abraçamos e admiramos, dentre outras coisas, o fato de estarmos trajando roupas “normais” (isto é, não peregrinas). Foi uma explosão de alegria. 

Alegria!

Alegria!

Daí em diante, a cada dia, uma surpresa atrás da outra. A Helle, sua família e vizinhos foram impecáveis na acolhida. Foram 5 dias incrivelmente bem aproveitados, regados à muito vinho, boa comida e companhias maravilhosas.

Nunca esquecerei das conversas sobre o que vivemos no Caminho Francês; nos planos para um futuro Caminho Português; no compartilhar de estórias sobre a Croácia, o Brasil e a Dinamarca (clima, refugiados, política, futebol, etc); dos passeios por Aarhus; do jantar de Natal (!) em que no final ainda ganhei uma Royal Copenhague (uma linda porcelana com design dinamarquês bastante tradicional entre os jovens) depois de ter achado uma amêndoa dentro da minha sobremesa, cujo nome me fugiu agora; da inspiração do “art of living” dinamarquês; do ensinar a pronúncia de certas palavras; das pessoas… Tudo Hyggeligt (palavra dinamarquesa que significa que algo é agradável, prazeroso)!

Esse reencontro, além de todas as sensações em mim despertadas e já mencionadas, me mostrou, mais uma vez, o poder da vontade de realizar algo. Acreditamos que nos veríamos novamente e fizemos acontecer.

Gratidão, Camino!

Centro de Aarhus

Centro de Aarhus

Comida tradicional dinamarquesa

Comida tradicional dinamarquesa

Aqui com a Tina - também peregrina- e o Rasmus

Aqui com a Tina – também peregrina- e o Rasmus :)