Monthly Archives: July 2017

Apurando os sentidos

Quando se viaja para um lugar distante (não só fisicamente) da realidade do dia-a-dia, a tendência é que haja um espanto inicial. No meu caso, esse “choque” costuma vir acompanhado de uma maior apuração dos sentidos, e aqui não me refiro apenas ao sexto-sentido… Meu olhar fica mais apurado, a audição concentrada, o olfato absolutamente farejante… eu vivo o presente, como se não lembrasse do passado ou mesmo das expectativas e ansiedades do futuro.

Essas conexões sensoriais me permitem viver o aqui e o agora, em estado de atenção. Me sinto viva e plena, como muitas vezes esqueço de exercitar quando estou no meu “habitat natural”. Essa é então, para mim, um dos grandes benefícios de mover-se em direção a novas experiências.

Nunca esquecerei dos meus primeiros dias em Jerusalém. Eu me senti absolutamente “perdida” e isso não tem nada a ver com não saber onde estava. Não. Eu me senti absorta em uma nova realidade. Uma realidade em que a religião dita inteiramente a vida das pessoas. Me senti até um pouco “infiel”. Para uma mulher cristã católica que cresceu na fé em meio a uma comunidade paroquial, vivenciar Jerusalém nos dois primeiros dias, foi no mínimo motivo de muita reflexão pessoal.

Pelas ruas de Jerusalém provando novos sabores

Pelas ruas de Jerusalém provando novos sabores

Também espero não sair nunca da minha memória a surpresa que tive ao constatar que, sim, é possível, viver em meio a rios caudalosos na Amazônia. O transporte de lancha para ir e vir. O comércio com itens escassos mantido sobre palafitas. As crianças que não podem ir à escola na época da cheia pesada. A vida que se mantém através dos nutrientes oferecidos pela própria floresta e rios. O fato de, em pleno século XXI, uma família não ter televisão em casa e só conhecer do mundo externo através das notícias ouvidas em um rádio de pilha. Isso tudo foi impactante de ver com meus próprios olhos.

Água que não acaba mais (a época das chuvas ainda não tinha nem começado)

Água que não acaba mais (a época das chuvas ainda não havia começado) – mercadinho ao fundo.

Goiaba colhida no quintal da casa de caboclos

Goiaba colhida no quintal da casa de caboclos

A estada na Jordânia foi curta, porém duradoura o suficiente para perceber a pouca presença das mulheres em atividades do dia-a-dia turístico, a exemplo da manutenção de um acampamento beduíno onde passamos à noite em Petra. Eram os homens que serviam as refeições; eram eles também que entertiam os turistas com o seu cantar, tocar e bater de palmas sincronizado. Não vi uma mulher sequer no local. Não sei ao certo se isso se deve ao fato de que na Jordânia 90% da população é muçulmana, segundo a Wikipedia, mas, sim, ver uma realidade tão diversa da que vivencio no meu país foi uma verdadeira expansão de consciência.

Campo beduíno em Petra (essas barraquinhas brancas são os quartos).

Campo beduíno em Petra (essas barracas são os quartos, refeitório e banheiros coletivos).

Confraternizando em Petra

Confraternizando em Petra

Por último, mas não menos importante, lembro de Cuba. Quem vai a Havana e não se impressiona, definitivamente, não vivenciou a realidade do lugar. Em Havana, quase não há propaganda em outdoors. As únicas que existem fazem referência ao socialismo e às figuras de Che Guevara e Fidel Castro. Não vi uma sequer com a foto do irmão Raul. Não creio que o “regime” ainda funcione em sua inteireza, mas pela propaganda oficial, ele está em plena execução. Acho que nunca vi um povo tão parecido com os brasileiros, como o cubano. E não falo apenas das características físicas… eles são rítmicos, adoram dançar, e transmitem uma positividade admirável. Queria ter levado balas e bombons para distribuir às crianças. Esses itens são absolutamente raros por lá.

Na Fusterlândia (ainda escreverei um post contando sobre esse lugar em Havana)

Na Fusterlândia (ainda escreverei um post contando sobre esse lugar em Havana)

Dentro de uma farmácia em Havana (repare na foto de Che no mural)

Dentro de uma farmácia em Havana, enquanto tratava meu pé recém machucado (repare na foto de Che e a mensagem sobre a Revolução no mural)

Essa foto poderia ter sido tirada em Salvador ou em São Luís do Maranhão não fosse pelas crianças jogando basebol.

Essa foto poderia ter sido tirada em Salvador ou em São Luís do Maranhão não fosse o esporte escolhido ser o basebol.

“Janela para o (meu) mundo”

Havana - junho 2017

Havana – junho 2017

Me apropriei do título da música do Milton Nascimento, adaptado, de forma propositada para me inspirar e escrever esse post, no qual avalio um ano de criação do blog carolslittledreams. <3

O carolslittledreams foi resultado de uma vontade de expressão para além daqueles que já tinha acesso, leia-se, as redes sociais, especialmente o instagram. Naquelas poucas linhas, geralmente acompanhadas de fotos, eu já contava histórias, mas o espaço era limitado… Minha grande amiga Mara Vanessa e o meu namorado deram o incentivo que faltava.

Depois de me aventurar a fazer um curso de nomadismo digital no fim de 2015/começo de 2016, aprendi as técnicas iniciais de criação de um blog. Daí porque o carolslittledreams também surgiu da necessidade de colocar em prática os conhecimentos recém-adquiridos.   

O carolslittledreams não é um blog de viagem, mas bem que poderia, pois a maioria dos meus pequenos sonhos estão relacionados à expansão de consciência que, geralmente, só uma viagem pode proporcionar. Algumas experiências que eu compartilhei durante esses 12 meses, a exemplo, do Caminho de Santiago – minha maior inspiração para o blog -, das viagens solo por Portugal e pelo Brasil, do reencontro com as minhas amigas peregrinas na Dinamarca, do apor de pés pela primeira vez no continente asiático, visitando Israel, Palestina e Jordânia (essa última ainda em fase se elaboração dos posts) e muitas outras que estão por vir, me transformaram verdadeiramente, para melhor. <3

Petra/Jordânia - março 2017

Petra/Jordânia – março 2017

Zurique/Suíça - março 2017

Zurique/Suíça – março 2017

 O carolslittledreams é, sim, um espaço em que me permito me abrir um pouco mais e compartilhar com pessoas queridas alguns pensamentos e reflexões, devaneios mesmo que venho tendo. Essa é uma das janelas para o meu mundo. 😉

As viagens, a mudança de Estado, a transição capilar, da forma de viver, de uma forma geral, tem me gerado inspiração suficiente para escrever. Espero assim continuar enquanto tiver vontade… 

Inspirações pelo Caminho de Santiago - maio 2016

Inspirações pelo Caminho de Santiago – maio 2016

Obrigada pela companhia de sempre, querido(a) leitor(a) !

:)