Monthly Archives: February 2018

O Caminho Brasileiro de Santiago de Compostela

Em dezembro de 2017, eu e uma amiga fizemos o Caminho Brasileiro de Santiago de Compostela, na cidade de Florianópolis-SC. Para mim, foi uma grande alegria poder, no meu próprio país, caminhar esse percurso de tanta simbologia, religiosidade e fé.

Há quem se pergunte: como assim, Carol? O Caminho de Santiago não tem seus traçados apenas no continente europeu? Não. Essa é uma informação super recente. Explico:

Diante da presença cada vez maior de brasileiros realizando o Caminho de Santiago, dois brasileiros-peregrinos idealizaram o projeto e pleitearam junto à autoridade religiosa competente da cidade de Santiago de Compostela um trecho em território nacional. Eis que em junho de 2017, depois da confirmação, o Caminho Brasileiro foi aberto em Floripa. Para nossa alegria! 😀 Assim, quem quiser, poderá caminhar o trecho em território nacional, e complementar o percurso de 100 km em território espanhol, iniciando em La Coruña até Santiago de Compostela, para obter a Compostelana (certificado de peregrinação). 

Pois bem, aproveitando um convite antigo de uma amiga para visitar Floripa, resolvemos conciliar as ideias e realizar o trecho, de 21 km, entre a praia de Canasvieiras, na Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, e o Santuário Sagrado Coração de Jesus. Durante o percurso, que pode ser feito um dia, passamos por paisagens absolutamente belas – de encher os olhos, o coração e a mente. 

Imagem do trajeto extraída do folder disponível na internet sobre o Caminho Brasileiro.

Para formalizar o ato, recomenda-se adquirir a credencial do peregrino na própria Igreja Nossa Senhora de Guadalupe e, ao passar por outros três pontos, receber o carimbo nas igrejas que acompanham o trajeto. Na sequência: Igreja Nossa Senhora de Guadalupe (1º carimbo) – Igreja de São Pedro (2° carimbo) – Igreja Nossa Senhora dos Navegantes (3° carimbo) – e Santuário Sagrado Coração de Jesus (4° carimbo). Foi o que fizemos. 

Todo o caminho é sinalizado, mas quem quiser, é também aconselhável pegar o folder com as informações sobre o caminho disponível na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, ponto inicial do percurso ou imprimi-lo antes pela internet neste link. Ele é dinâmico e oferece de forma detalhada cada etapa a ser vivenciada, com observações do tipo 1ª e 2ª opção de trajetos. 

Eu fiz o caminho dispondo de uma pequena mochila onde coloquei água e castanhas. Não utilizei bastão, nem botas de trilha, mas é interessante o seu uso, especialmente se o peregrino optar por fazer a Trilha do Morro do Rapa. Nós fizemos essa trilha e UAU! Que vista! Recomendo, mas atenção pois ela é classificada no nível difícil de dificuldade.

Aqui uma outra informação útil: durante o trajeto, é possível encontrar opções de parada para lanches leves. No primeiro estabelecimento, além de usar o banheiro do local, comi açaí. No segundo, empanadas com cerveja. Por que peregrinar não é sinônimo de sofrer, certo!? 😉

Maiores informações/dúvidas, podem ser perguntadas aqui nos comentários. Ficarei feliz em responder. :)

Outros sites que tem falado sobre o assunto:

El país

Página do Caminho Brasileiro no facebook

Site da Associação Catarinense dos Amigos do Caminho de Compostela

Buen Camino! Bom Caminho!

Três livros inspiração de 2017

Todo começo de ano é assim: uma mentalização à aspiração de ler mais e mais durante os próximos 365 dias. Hoje, porém, eu não quero indicar quantos livros pretendo ler, nem publicar a lista de todos os que eu li – sim, tenho minha listinha no bloco de notas do celular :) – mas referenciar 3 deles que mais me marcaram no ano que passou, me ajudando viver melhor.

1) O segredo da Dinamarca (original “A Year of Living Danishly” – Helen Russell)

Fiz a leitura desse livro, em inglês, em setembro de 2017, a partir de um comentário da blogueira de viagens Amanda Noventa. “O segredo da Dinamarca”, de autoria da escritora inglesa Helen Russell, aborda essencialmente as pesquisas por ela realizada na intenção de descobrir o porquê de os dinamarqueses serem consideradas as pessoas mais felizes do mundo. De forma leve e descontraída, Helen narra suas desventuras como estrangeira nesse país escandinavo. É impossível não se pegar sorrindo ou se teletransportar para a Legolândia, próximo à Aarhus, local em Helen e seu esposo escolheram passar um ano, motivado por uma excelente proposta de trabalho por ele recebida. Sem dúvidas, as lições apreendidas pela escritora, inspirada na convivência com os dinamarqueses, nos fazem também querer adaptar nossa forma de pensar e até mesmo fazer pequenos-pontuais ajustes na nossa rotina, onde quer que se more, para viver uma vida mais feliz, todos os dias. :) 

2) De catedral a catedral – Como passar em concurso público andando de bicicleta (Evandro Torezan)

Não, eu não li esse livro com o objetivo de aperfeiçoar métodos ou fórmulas para passar em concurso. Mas bem que poderia… O autor Evandro Torezan é mestre nas dinâmicas que envolvem aprovação em concurso público. Para além disso, pessoa de fé e incrível determinação, ele ainda é ciclista, daqueles que acordam de madrugada para pedalar pelas ruas do Distrito Federal e, segundo me disse, vai e volta todos os dias de bike de casa para o trabalho. Conheci o Evandro na academia em que frequento por um interesse em comum: peregrinações. Nosso professor/instrutor Rafael tratou de anunciar ao Evandro, que estava próximo, que eu havia feito o Caminho de Santiago. Não tardou para que aqui acolá falássemos de forma mais aprofundada no assunto. Foi aí que surgiu a promessa da troca de livros. Eu daria a ele o meu e-book sobre o Caminho de Santiago e ele me presentearia com o seu livro De catedral a catedral. Quando comecei a ler o livro, percebi que ele me traria muitos ensinamentos. O primeiro deles, a fé, o foco e a disciplina são poderosos instrumentos para o alcance dos nossos objetivos. Dois, o nosso Brasil possui uma infinidade de peregrinações de norte a sul. Evandro relata as pedaladas que o conduziram da Catedral de Brasília à Aparecida, no famoso Caminho da Fé. E, por último, mas não menos importante: percebi que exijo muito pouco do meu corpo. Sei que ele pode ir além. Daí porque comecei a correr com maior frequência e entusiasmo. Vamos ver até onde isso vai me levar. :) Obrigada, Evandro, por tão poderosas lições! Já estou no aguardo do relato da próxima aventura! 😀

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3) The Worrier’s Guide to the End of the World (Torre DeRoche)

Mais um livro de viagem para a conta. 😉 “The worrier’s guide to the end of the world” de autoria de Torre DeRoche é uma daquelas obras que parecem te teletransportar para os cenários onde se passa o enredo. Nesse caso, a Itália (Via Francigena) e a Índia. DeRoche, mulher norte-americana, conhece Masha em Nova York e, posteriormente, se reencontram na Europa. A grande questão aqui é que esse reencontro não é tão comum como se possa imaginar. DeRoche viajava tentando lidar com o luto pelo término de um longo relacionamento, bem como pela morte do pai, acometido de câncer. Quando Masha a convida para percorrem juntas a peregrinação chamada Via Francigena, no trecho pela Itália, e, na sequência, a seguirem os passos de Gandhi, em uma outra peregrinação, pela Índia, a autora, apesar da resistência inicial, decide abraçar o desafio. O livro descreve as aventuras das duas amigas por esses caminhos, pincelando as narrativas com lúcidas e sensíveis reflexões sobre a vida e si mesmo. Me identifiquei demais com os relatos da autora. Vai ver que é porque peregrinos se reconhecem e vibram energias semelhantes. :) Eu não poderia não recomendar esse livro.