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O Caminho Brasileiro de Santiago de Compostela

Em dezembro de 2017, eu e uma amiga fizemos o Caminho Brasileiro de Santiago de Compostela, na cidade de Florianópolis-SC. Para mim, foi uma grande alegria poder, no meu próprio país, caminhar esse percurso de tanta simbologia, religiosidade e fé.

Há quem se pergunte: como assim, Carol? O Caminho de Santiago não tem seus traçados apenas no continente europeu? Não. Essa é uma informação super recente. Explico:

Diante da presença cada vez maior de brasileiros realizando o Caminho de Santiago, dois brasileiros-peregrinos idealizaram o projeto e pleitearam junto à autoridade religiosa competente da cidade de Santiago de Compostela um trecho em território nacional. Eis que em junho de 2017, depois da confirmação, o Caminho Brasileiro foi aberto em Floripa. Para nossa alegria! 😀 Assim, quem quiser, poderá caminhar o trecho em território nacional, e complementar o percurso de 100 km em território espanhol, iniciando em La Coruña até Santiago de Compostela, para obter a Compostelana (certificado de peregrinação). 

Pois bem, aproveitando um convite antigo de uma amiga para visitar Floripa, resolvemos conciliar as ideias e realizar o trecho, de 21 km, entre a praia de Canasvieiras, na Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, e o Santuário Sagrado Coração de Jesus. Durante o percurso, que pode ser feito um dia, passamos por paisagens absolutamente belas – de encher os olhos, o coração e a mente. 

Imagem do trajeto extraída do folder disponível na internet sobre o Caminho Brasileiro.

Para formalizar o ato, recomenda-se adquirir a credencial do peregrino na própria Igreja Nossa Senhora de Guadalupe e, ao passar por outros três pontos, receber o carimbo nas igrejas que acompanham o trajeto. Na sequência: Igreja Nossa Senhora de Guadalupe (1º carimbo) – Igreja de São Pedro (2° carimbo) – Igreja Nossa Senhora dos Navegantes (3° carimbo) – e Santuário Sagrado Coração de Jesus (4° carimbo). Foi o que fizemos. 

Todo o caminho é sinalizado, mas quem quiser, é também aconselhável pegar o folder com as informações sobre o caminho disponível na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, ponto inicial do percurso ou imprimi-lo antes pela internet neste link. Ele é dinâmico e oferece de forma detalhada cada etapa a ser vivenciada, com observações do tipo 1ª e 2ª opção de trajetos. 

Eu fiz o caminho dispondo de uma pequena mochila onde coloquei água e castanhas. Não utilizei bastão, nem botas de trilha, mas é interessante o seu uso, especialmente se o peregrino optar por fazer a Trilha do Morro do Rapa. Nós fizemos essa trilha e UAU! Que vista! Recomendo, mas atenção pois ela é classificada no nível difícil de dificuldade.

Aqui uma outra informação útil: durante o trajeto, é possível encontrar opções de parada para lanches leves. No primeiro estabelecimento, além de usar o banheiro do local, comi açaí. No segundo, empanadas com cerveja. Por que peregrinar não é sinônimo de sofrer, certo!? 😉

Maiores informações/dúvidas, podem ser perguntadas aqui nos comentários. Ficarei feliz em responder. :)

Outros sites que tem falado sobre o assunto:

El país

Página do Caminho Brasileiro no facebook

Site da Associação Catarinense dos Amigos do Caminho de Compostela

Buen Camino! Bom Caminho!

Três livros inspiração de 2017

Todo começo de ano é assim: uma mentalização à aspiração de ler mais e mais durante os próximos 365 dias. Hoje, porém, eu não quero indicar quantos livros pretendo ler, nem publicar a lista de todos os que eu li – sim, tenho minha listinha no bloco de notas do celular :) – mas referenciar 3 deles que mais me marcaram no ano que passou, me ajudando viver melhor.

1) O segredo da Dinamarca (original “A Year of Living Danishly” – Helen Russell)

Fiz a leitura desse livro, em inglês, em setembro de 2017, a partir de um comentário da blogueira de viagens Amanda Noventa. “O segredo da Dinamarca”, de autoria da escritora inglesa Helen Russell, aborda essencialmente as pesquisas por ela realizada na intenção de descobrir o porquê de os dinamarqueses serem consideradas as pessoas mais felizes do mundo. De forma leve e descontraída, Helen narra suas desventuras como estrangeira nesse país escandinavo. É impossível não se pegar sorrindo ou se teletransportar para a Legolândia, próximo à Aarhus, local em Helen e seu esposo escolheram passar um ano, motivado por uma excelente proposta de trabalho por ele recebida. Sem dúvidas, as lições apreendidas pela escritora, inspirada na convivência com os dinamarqueses, nos fazem também querer adaptar nossa forma de pensar e até mesmo fazer pequenos-pontuais ajustes na nossa rotina, onde quer que se more, para viver uma vida mais feliz, todos os dias. :) 

2) De catedral a catedral – Como passar em concurso público andando de bicicleta (Evandro Torezan)

Não, eu não li esse livro com o objetivo de aperfeiçoar métodos ou fórmulas para passar em concurso. Mas bem que poderia… O autor Evandro Torezan é mestre nas dinâmicas que envolvem aprovação em concurso público. Para além disso, pessoa de fé e incrível determinação, ele ainda é ciclista, daqueles que acordam de madrugada para pedalar pelas ruas do Distrito Federal e, segundo me disse, vai e volta todos os dias de bike de casa para o trabalho. Conheci o Evandro na academia em que frequento por um interesse em comum: peregrinações. Nosso professor/instrutor Rafael tratou de anunciar ao Evandro, que estava próximo, que eu havia feito o Caminho de Santiago. Não tardou para que aqui acolá falássemos de forma mais aprofundada no assunto. Foi aí que surgiu a promessa da troca de livros. Eu daria a ele o meu e-book sobre o Caminho de Santiago e ele me presentearia com o seu livro De catedral a catedral. Quando comecei a ler o livro, percebi que ele me traria muitos ensinamentos. O primeiro deles, a fé, o foco e a disciplina são poderosos instrumentos para o alcance dos nossos objetivos. Dois, o nosso Brasil possui uma infinidade de peregrinações de norte a sul. Evandro relata as pedaladas que o conduziram da Catedral de Brasília à Aparecida, no famoso Caminho da Fé. E, por último, mas não menos importante: percebi que exijo muito pouco do meu corpo. Sei que ele pode ir além. Daí porque comecei a correr com maior frequência e entusiasmo. Vamos ver até onde isso vai me levar. :) Obrigada, Evandro, por tão poderosas lições! Já estou no aguardo do relato da próxima aventura! 😀

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3) The Worrier’s Guide to the End of the World (Torre DeRoche)

Mais um livro de viagem para a conta. 😉 “The worrier’s guide to the end of the world” de autoria de Torre DeRoche é uma daquelas obras que parecem te teletransportar para os cenários onde se passa o enredo. Nesse caso, a Itália (Via Francigena) e a Índia. DeRoche, mulher norte-americana, conhece Masha em Nova York e, posteriormente, se reencontram na Europa. A grande questão aqui é que esse reencontro não é tão comum como se possa imaginar. DeRoche viajava tentando lidar com o luto pelo término de um longo relacionamento, bem como pela morte do pai, acometido de câncer. Quando Masha a convida para percorrem juntas a peregrinação chamada Via Francigena, no trecho pela Itália, e, na sequência, a seguirem os passos de Gandhi, em uma outra peregrinação, pela Índia, a autora, apesar da resistência inicial, decide abraçar o desafio. O livro descreve as aventuras das duas amigas por esses caminhos, pincelando as narrativas com lúcidas e sensíveis reflexões sobre a vida e si mesmo. Me identifiquei demais com os relatos da autora. Vai ver que é porque peregrinos se reconhecem e vibram energias semelhantes. :) Eu não poderia não recomendar esse livro.

Viajando sem sair de Brasília

Uma dos meus programas preferidos durante as viagens é apreciar a culinária local, tanto que sempre pesquiso e, por vezes, até reservo, antes mesmo de pegar o avião, uma mesa nos restaurantes melhor avaliados.

Acredito, porém, que é possível conhecer outras culturas sem sair da cidade em que moramos. Uma dos meios para isso é visitar restaurantes especializados na culinária de outros países. 

Escrevo esse post para transmitir a minha experiência pessoal ao frequentar dois restaurantes, comandados por expatriados, em Brasília. Senti uma motivação especial para compartilhar sobre eles, porque percebo que poucos brasilienses têm acesso a essas informações, e, como bem ressaltou o jovem refugiado sírio com quem eu conversei, “a melhor ajuda é a divulgação”.

Então vamos nós!

1) Bodega de La Habana

O Bodega de La Habana é um restaurante cubano, comandado pelo chef Miguel Padilla, localizado próximo ao Jardim Botânico.

Já estive no local duas vezes e sempre me surpreendo com a qualidade e custo-benefício dos pratos servidos. Os chips de banana-da-terra, batata-doce e inhame são a principal pedida de entrada. Ropa Vieja, Moros y Cristianos, pratos típicos do país dos irmãos Castro, fazem sucesso no restaurante. O meu preferido, no entanto, é o “rabo encendido”, de comer revirando os olhos. :)

Como o local é pequeno, recomenda-se a reserva, especialmente para feriados e fins de semana.

Entrada do restaurante Bodega de La Habana

Entrada do restaurante Bodega de La Habana

Os famosos chips

Os famosos chips

O meu preferido

O meu preferido “rabo encendido”

Sobremesa de goiaba com cream cheese

Sobremesa de goiaba com cream cheese

Bodega de la Habana
Condomínio San Diego, Quadra 1, Casa 1, Lote 257, Setor Habitacional Jardim Botânico, Galeria Espaço 257 — ao lado do Jardim Botânico Shopping
Telefone: (61) 3551-7158

2) Yalla Falafel

Descobri o Yalla Falafel em uma busca na internet por comida árabe e não me decepcionei. Ao contrário. Grata supresa. :)

Ele está localizado na Asa Sul e, sem dúvidas, é uma excelente opção para vegetarianos, principalmente.

Quando no local, conversei por alguns bons minutos com um dos donos, refugiado sírio, cujo nome me fugiu da memória, que cuidadosamente cortava os vegetais e gerenciava a equipe em atendimento. Nesse momento, ele me contou um pouco sobre a sua história de vida e em bom português me transmitiu as esperanças em viver uma vida mais feliz em solo brasileiro.

Certamente voltarei ao Yalla Falafel e prometo tirar melhores fotos dos coloridos mapas que decoram as paredes do local. 😉

Entrada do Yalla Falafel

Entrada do Yalla Falafel

Minha pedida

Minha pedida

Um dos mapas que colore as paredes do Yalla Falafel <3

Um dos mapas que colore as paredes do Yalla Falafel <3

Yalla Falafel
CLS 208, Bloco A, Loja 34, Brasília-DF
Telefone: (61) 3797-7428 / Facebook: Yalla Falafel

A Havana que eu imaginava e a Havana que nós encontramos

O que Havana e, Cuba, de um modo geral transmitem ao mundo, todos devem estar cansados de saber: Rum, propaganda do regime de Che e Fidel, Mojito, prédios históricos, carros antigos, musicalidade, Daiquiri, Malecón <3, etc...

Combinando em Havana :)

Combinando em Havana :)

Degustação de rum, um dos maiores produtos de exportação de Cuba, no museu do Rum, em Havana.

Degustação de rum, um dos maiores produtos de exportação de Cuba, no museu do Rum, em Havana.

O tradicional Mojito do La Bodeguita Del Medio (lugar que ficou conhecido pelo seu mais famoso frequentador: Hemminway)

O tradicional Mojito do La Bodeguita Del Medio (lugar que ficou conhecido pelo seu mais famoso frequentador: Hemminway)

Preparação de Daiquiri, no famoso La Floridita, também devido ao cliente fiel Hemminway.

Preparação de Daiquiri, no famoso La Floridita, também devido ao cliente fiel Hemminway.

Curiosa imagem no nosso caminho de todo dia entre o Centro de Habana e a Habana Vieja

Curioso registro no nosso caminho de todo dia entre o Centro de Habana e a Habana Vieja.

O que eu e, talvez, você não sabia, é que por trás dessa Cuba já, digamos, tradicional, há muitas outras sensações e sabores a descobrir. Eu tive a alegria de experimentar algumas delas e compartilho agora nesse espaço que alimento com tanto carinho um pouco do que vivi naquela ilha do Caribe.

Desde já, digo que nossas maiores fontes de pesquisa foram o guia de viagem da Lonely Planet (comprei a versão em inglês, pois não achei em português) e posts de viagem atualizados na internet.

Daquele guia, pegamos quase todas as dicas sobre onde comer e beber em Havana. Como dois digamos, “problemáticos” (rs) que somos quando o assunto é comer e beber fora, optamos por seguir recomendações mais “seguras” sobre o assunto. Visitamos o muito bom La Guarida e não nos arrependemos. A entrada do prédio onde se localiza esse restaurante é bastante incomum. Pense num prédio abandonado com paredes caindo o reboco. É assim a entrada do La Guarida… até você subir os degraus que dão acesso aos salões onde turistas, especialmente, se amontoam para acessar uma mesa, previamente reservada, e se deliciar com a excelente comida e também vista especial de Havana.

Entrada do La Guarida

Entrada do La Guarida

Vista de um dos salões do La Guarida

A partir do guia Lonely Planet tivemos acesso também à região da Fusterlândia, um excêntrico bairro todo adornado em ladrilhos. Segundo o seu idealizador, José Fuster, uma homenagem ao espanhol Gaudi. :)

A Fusterlândia fica a uma boa distância de Habana Vieja e do Centro de Habana. Optamos por nos deslocar até lá de carro, com preço previamente acertado com o gentil motorista, que nos levou e ainda nos esperou para trazer de volta à zona mais movimentada.

Só não aproveitamos mais, porque justamente naquele dia, caiu uma chuva que insistia em não nos dar uma trégua. Passamos um bom tempo dentro de uma galeria, esperando São Pedro colaborar com o nosso passeio. 

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Como bons fãs de arte de rua que somos, não nos passou despercebido alguns grafites e murais espalhados por Havana. Foi uma grande surpresa ver uma arte “moderna” misturada a prédios históricos necessitados de restauração. Incrível!

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Arte de rua em Havana

Arte de rua em Havana

Cuba, já sinto muitas saudades! Espero um dia te reencontrar e me surpreender mais e mais. <3

Viajar à Cuba foi mais fácil do que eu imaginava

Eu escrevo esse post ouvindo “Buena Vista Social Club” e recomendo, de verdade, que você se permita conhecer um pouco da música de raiz cubana. “El Cuarto de Tula” é sinergia pura. Incrível! Não se espante se quiser começar a imediatamente mexer o quadril e/ou os ombros. Cuba é musicalidade, corpos em movimento, instrumentos musicais por todo lugar que se olhe.

Eu me senti muitíssimo bem acolhida na terra dos irmãos Castro. A começar, quando fui tirar o visto, aqui mesmo, na embaixada de Cuba, em Brasília. Com uma ligação, a atendente me informou que eu deveria pagar primeiro uma taxa de aproximadamente R$ 60,00 (sessenta reais) e dois dias depois comparecer à embaixada, com meu passaporte, esse formulário preenchido e as cópias da passagem aérea (ida e volta) e da reserva de hospedagem. Pronto! Quando compareci ao local, já saí com meu visto em mãos. Fácil, fácil! É possível também fazer o pedido de visto não presencial. Veja aqui como.

Embaixada de Cuba em Brasília

Embaixada de Cuba em Brasília

Na sequência, ao pousar em Havana (meu vôo foi operado pela Copa Airlines – Brasília/Panamá/Havana), mais facilidade e tranquilidade. Isso me chamou a atenção, porque nas últimas vezes que entrei em um país sozinha, passei por quase uma “sabatina” e, nada disso, aconteceu em Cuba. Ao contrário.

Pronta para o embarque :)

Pronta para o embarque :)

Sobrevoando a Ilha de Cuba <3

Sobrevoando a Ilha de Cuba <3

Não passou desapercebido da minha atenção as meias arrastão combinadas com as micro-saias das atendentes do aeroporto, e, convenhamos, nada normal para um país isolado e fechado, pensava eu.

No aeroporto de Havana... (além das propagandas de governo, as de bebidas rum e cerveja foram as únicas que avistei)

No aeroporto de Havana… (além das propagandas do governo, as de rum e cerveja foram as únicas que avistei)

Aproveitei que esperava o vôo do meu namorado pousar em Havana, para trocar os euros que havia levado por pesos cubanos conversíveis (a moeda usada pelos turistas em Cuba). Um peso cubano conversível é equivalente ao dólar americano. No entanto, levar a moeda norte-americana não é bom negócio, pois sobre a transação incide uma taxa extra de, salvo engano, 10%. 

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Notas de peso conversível

Para o turista brasileiro mais desavisado, Cuba pode parecer um destino de viagem mais caro. No entanto, aqui também vale a máxima do “quem converte não se diverte”. O que posso garantir é: vale cada centavo investido! 

O aeroporto de Havana fica um pouco distante das regiões mais turística da cidade, que são Habana Vieja (essa sem dúvidas, a mais turística e onde se deve ficar hospedado se o objetivo é realmente sentir a “alma cubana”), Centro Habana (onde ficava nosso airbnb, próximo ao Malecón, e apenas alguns minutos a pé de Habana Vieja) e Vedado (região mais residencial). Então acertamos um serviço de transfer com o nosso host, o qual estava pontualmente à nossa espera no horário combinado.

Vista do Malecón a partir do nosso apartamento alugado pela plataforma airbnb

Vista do Malecón a partir do nosso apartamento alugado pela plataforma airbnb

Aquele seria apenas o primeiro dia, de uma semana, na histórica Cuba. <3

 

Petra

Impossível não ficar boquiaberto diante do que se ver em Petra. Não à toa, ela foi escolhida como uma das Sete Maravilhas do Mundo Contemporâneo.

Quando planejávamos nossa viagem por Israel, nos demos conta, através das pesquisas em sites de turismo local, que haveria como fazer um passeio de dois dias à Jordânia, passando por Amam e Petra. Confesso que conhecer Petra não estava na minha top-list de viagem. Mas diante daquela possibilidade real, comecei a ler e me informar o máximo possível sobre o local e, posso dizer: me encantei!

Chegando em Petra, minha reação não foi outra além de ficar boquiaberta a maior parte do tempo, não só pela impressionante beleza conservada do lugar, mas também pelo esforço físico no acesso aos seus pontos-chave.

Veja as fotos abaixo e me diga se eu tinha ou não razão em assim reagir!?

Durante o caminho até o segundo

Durante o caminho até o segundo “ponto-chave” de Petra, existem muitos vendedores dos mais diversos itens, como por exemplo, de suco de romã à ímã de geladeira.

Obrigada, Deus, por colocar diante desses olhos tanta beleza.

Obrigada, Deus, por colocar diante desses olhos tanta beleza! <3

Para pessoas com mobilidade reduzida ou problemas no joelho, como eu, há alternativas de transporte dento da cidade-rosa.

Para pessoas com mobilidade reduzida ou problemas no joelho, como eu, há alternativas de transporte dentro da cidade-rosa.

Confissão e impressões sobre a Jordânia

Na fronteira entre Israel e Jordânia

Na fronteira entre Israel e Jordânia

Eu preciso confessar que subestimei a Jordânia, por desconhecimento mesmo. 

Esse país do sudoeste asiático me chamou a atenção, num primeiro momento, por ter no seu território uma das Novas Maravilhas do Mundo Moderno – Petra. Depois de dois dias circulando de ônibus por seu território, pude perceber que o Reino Haxemita da Jordânia, seu nome oficial, vai muito além disso. Abaixo listo algumas impressões…

Diante do Tesouro, em Petra

Diante do Tesouro, em Petra

a) É um país de maioria muçulmana que bem convive com praticantes de outras religiões. O nosso guia, inclusive, era cristão;

Aman, a capital do país

Aman, a capital do país

b) Os jordanianos possuem grande apreço pela família real (a Jordânia é uma monarquia constitucional). A rainha Rania Al Abdullah é bastante conhecida, mundo a fora, por sua beleza e estilo;

c) A Jordânia é um país aberto aos refugiados, em sua maioria vindos da Síria e da Palestina;

d) É na Jordânia que se encontram preservados os maiores sítios arqueológicos relacionados ao império romano, fora de Roma;

e) É pela Jordânia que os palestinos acessam ao Território Palestino quando viajam de avião para outros países, já que muitos deles tem a entrada vedada em Israel;

f) Os jordanianos conseguem entender mais português do que podemos imaginar. Em conversas, ele me reportaram algumas semelhanças.

Eu continuo sem entender nada de árabe... rs

Eu continuo sem entender nada de árabe… rs

Apurando os sentidos

Quando se viaja para um lugar distante (não só fisicamente) da realidade do dia-a-dia, a tendência é que haja um espanto inicial. No meu caso, esse “choque” costuma vir acompanhado de uma maior apuração dos sentidos, e aqui não me refiro apenas ao sexto-sentido… Meu olhar fica mais apurado, a audição concentrada, o olfato absolutamente farejante… eu vivo o presente, como se não lembrasse do passado ou mesmo das expectativas e ansiedades do futuro.

Essas conexões sensoriais me permitem viver o aqui e o agora, em estado de atenção. Me sinto viva e plena, como muitas vezes esqueço de exercitar quando estou no meu “habitat natural”. Essa é então, para mim, um dos grandes benefícios de mover-se em direção a novas experiências.

Nunca esquecerei dos meus primeiros dias em Jerusalém. Eu me senti absolutamente “perdida” e isso não tem nada a ver com não saber onde estava. Não. Eu me senti absorta em uma nova realidade. Uma realidade em que a religião dita inteiramente a vida das pessoas. Me senti até um pouco “infiel”. Para uma mulher cristã católica que cresceu na fé em meio a uma comunidade paroquial, vivenciar Jerusalém nos dois primeiros dias, foi no mínimo motivo de muita reflexão pessoal.

Pelas ruas de Jerusalém provando novos sabores

Pelas ruas de Jerusalém provando novos sabores

Também espero não sair nunca da minha memória a surpresa que tive ao constatar que, sim, é possível, viver em meio a rios caudalosos na Amazônia. O transporte de lancha para ir e vir. O comércio com itens escassos mantido sobre palafitas. As crianças que não podem ir à escola na época da cheia pesada. A vida que se mantém através dos nutrientes oferecidos pela própria floresta e rios. O fato de, em pleno século XXI, uma família não ter televisão em casa e só conhecer do mundo externo através das notícias ouvidas em um rádio de pilha. Isso tudo foi impactante de ver com meus próprios olhos.

Água que não acaba mais (a época das chuvas ainda não tinha nem começado)

Água que não acaba mais (a época das chuvas ainda não havia começado) – mercadinho ao fundo.

Goiaba colhida no quintal da casa de caboclos

Goiaba colhida no quintal da casa de caboclos

A estada na Jordânia foi curta, porém duradoura o suficiente para perceber a pouca presença das mulheres em atividades do dia-a-dia turístico, a exemplo da manutenção de um acampamento beduíno onde passamos à noite em Petra. Eram os homens que serviam as refeições; eram eles também que entertiam os turistas com o seu cantar, tocar e bater de palmas sincronizado. Não vi uma mulher sequer no local. Não sei ao certo se isso se deve ao fato de que na Jordânia 90% da população é muçulmana, segundo a Wikipedia, mas, sim, ver uma realidade tão diversa da que vivencio no meu país foi uma verdadeira expansão de consciência.

Campo beduíno em Petra (essas barraquinhas brancas são os quartos).

Campo beduíno em Petra (essas barracas são os quartos, refeitório e banheiros coletivos).

Confraternizando em Petra

Confraternizando em Petra

Por último, mas não menos importante, lembro de Cuba. Quem vai a Havana e não se impressiona, definitivamente, não vivenciou a realidade do lugar. Em Havana, quase não há propaganda em outdoors. As únicas que existem fazem referência ao socialismo e às figuras de Che Guevara e Fidel Castro. Não vi uma sequer com a foto do irmão Raul. Não creio que o “regime” ainda funcione em sua inteireza, mas pela propaganda oficial, ele está em plena execução. Acho que nunca vi um povo tão parecido com os brasileiros, como o cubano. E não falo apenas das características físicas… eles são rítmicos, adoram dançar, e transmitem uma positividade admirável. Queria ter levado balas e bombons para distribuir às crianças. Esses itens são absolutamente raros por lá.

Na Fusterlândia (ainda escreverei um post contando sobre esse lugar em Havana)

Na Fusterlândia (ainda escreverei um post contando sobre esse lugar em Havana)

Dentro de uma farmácia em Havana (repare na foto de Che no mural)

Dentro de uma farmácia em Havana, enquanto tratava meu pé recém machucado (repare na foto de Che e a mensagem sobre a Revolução no mural)

Essa foto poderia ter sido tirada em Salvador ou em São Luís do Maranhão não fosse pelas crianças jogando basebol.

Essa foto poderia ter sido tirada em Salvador ou em São Luís do Maranhão não fosse o esporte escolhido ser o basebol.

“Janela para o (meu) mundo”

Havana - junho 2017

Havana – junho 2017

Me apropriei do título da música do Milton Nascimento, adaptado, de forma propositada para me inspirar e escrever esse post, no qual avalio um ano de criação do blog carolslittledreams. <3

O carolslittledreams foi resultado de uma vontade de expressão para além daqueles que já tinha acesso, leia-se, as redes sociais, especialmente o instagram. Naquelas poucas linhas, geralmente acompanhadas de fotos, eu já contava histórias, mas o espaço era limitado… Minha grande amiga Mara Vanessa e o meu namorado deram o incentivo que faltava.

Depois de me aventurar a fazer um curso de nomadismo digital no fim de 2015/começo de 2016, aprendi as técnicas iniciais de criação de um blog. Daí porque o carolslittledreams também surgiu da necessidade de colocar em prática os conhecimentos recém-adquiridos.   

O carolslittledreams não é um blog de viagem, mas bem que poderia, pois a maioria dos meus pequenos sonhos estão relacionados à expansão de consciência que, geralmente, só uma viagem pode proporcionar. Algumas experiências que eu compartilhei durante esses 12 meses, a exemplo, do Caminho de Santiago – minha maior inspiração para o blog -, das viagens solo por Portugal e pelo Brasil, do reencontro com as minhas amigas peregrinas na Dinamarca, do apor de pés pela primeira vez no continente asiático, visitando Israel, Palestina e Jordânia (essa última ainda em fase se elaboração dos posts) e muitas outras que estão por vir, me transformaram verdadeiramente, para melhor. <3

Petra/Jordânia - março 2017

Petra/Jordânia – março 2017

Zurique/Suíça - março 2017

Zurique/Suíça – março 2017

 O carolslittledreams é, sim, um espaço em que me permito me abrir um pouco mais e compartilhar com pessoas queridas alguns pensamentos e reflexões, devaneios mesmo que venho tendo. Essa é uma das janelas para o meu mundo. 😉

As viagens, a mudança de Estado, a transição capilar, da forma de viver, de uma forma geral, tem me gerado inspiração suficiente para escrever. Espero assim continuar enquanto tiver vontade… 

Inspirações pelo Caminho de Santiago - maio 2016

Inspirações pelo Caminho de Santiago – maio 2016

Obrigada pela companhia de sempre, querido(a) leitor(a) !

:)

Porque eu fui à Palestina

Quando começamos a planejar a viagem para Israel, eu tinha uma certeza: queria visitar o local do nascimento de Jesus. Como sabemos, Jesus nasceu em Belém. Até então, o que não havia realizado é que Belém faz parte da Palestina, e que, portanto, está separada de Jerusalém pelo fatídico muro da separação.

Meu namorado, bem mais entendido das questões do Oriente Médio, do que esta que aqui escreve, já tinha conhecimento que esse mesmo muro é recheado de arte urbana, mais precisamente, de grafite, e que, naqueles dias em que estaríamos em Belém, o hotel que se atribui a Banksy abriria suas portas para visitação.

Resolvemos, então, juntar tudo e contratar um guia local para nos acompanhar durante parte desse dia.

Combinamos que nos encontraríamos no CheckPoint 300, já do lado Palestino. Aqui um outro adendo: CheckPoint 300 é como é conhecido um dos numerosos postos de controle israelenses que restringem e controlam a passagem entre as áreas autônomas Palestinas e Israel.

De Jerusalém, pegamos em frente ao Portão de Damasco, o ônibus 24 em direção a Belém. De pronto, pudemos observar a maioria de muçulmanos a ocupar os assentos. Natural.

Bilhetes de ônibus que pegamos em Jerusalém rumo a Belém

Bilhetes de ônibus que pegamos em Jerusalém rumo a Belém

A viagem seguia um misto de ansiedade e tensão. Ansiedade pelo que estávamos à beira de presenciar e tensão, pela incerteza da passagem no checkpoint. Foram mais ou menos 30 minutos do Portão de Damasco até o checkpoint 300.

Descemos do ônibus e já fomos logo entrando no checkpoint. Não fomos parados em nenhum momento pelos policiais israelenses que estavam no local. Passamos seguindo o fluxo dos palestinos, que tinham acesso ao lado israelense da “fronteira”.

Enfim do lado palestino, a visão que se tem é do muro e de vários táxi e taxistas ansiosos pelos turistas que se aventuram em busca das obras de Banksy espalhadas por Belém. Alguns deles já te abordam oferecendo o serviço.

Depois do encontro com nosso guia, começamos a explorar: apreciamos os grafites espalhados pelo muro, visitamos um campo de refugiados, comemos com os locais um pita, tomamos cerveja palestina e, por fim, o hotel de Banksy, antes de seguir para a Igreja da Natividade.

Uma pergunta que muitos me fizeram foi quanto à segurança no West Bank (essa área do muro). A minha resposta foi que eu não me senti insegura em nenhum momento junto aos palestinos. Para ser sincera, o único instante em que o medo quis tomar conta, foi quando eu me aproximei do muro, mas precisamente, de um portão rende à torre de fiscalização, e ouvi um barulho como se ele fosse se abrir. O receio, na verdade, era quanto a quem me observava das torres, e não de quem encontrava em solo.

Entrada do campo de refugiados, com a presença da ONU no local. (A chave faz referência às chaves das casas que os palestinos levaram consigo quando forçados a deixar o local onde moravam em razão da pressão israelense).

Entrada do campo de refugiados, com a presença da ONU no local. (A chave faz referência às chaves das casas que os palestinos levaram consigo quando forçados a deixar o local onde moravam em razão da pressão israelense).

Grafite e ursinho no campo de refugiados que margeia o muro.

Grafite e ursinho no campo de refugiados que margeia o muro.

Entrada do hotel de Banksy

Entrada do hotel de Banksy

Visão de dentro para fora do hotel de Banksy. Dizem o hotel com a "pior vista do mundo".

Visão de dentro para fora do hotel de Banksy. Dizem o hotel com a “pior vista do mundo”.

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Fragmento do museu que há dentro do hotel

Fragmento do museu que há dentro do hotel

Um dos grafites de Banksy espalhados por Belém

Um dos grafites de Banksy espalhados por Belém.

Cerveja Palestina

Cerveja Palestina

Imagem exterior da Igreja da Natividade que passa por reforma e o detalhe da porta bem pequena por onde se entra na igreja. (Os carros de polícia se deveu à presença de um presidente de um país, que eu não lembro o qual, no local).

Imagem exterior da Igreja da Natividade que passa por reforma e o detalhe da porta bem pequena por onde se entra na igreja. (Os carros de polícia se deveu à presença de um presidente de um país, que eu não lembro o qual, no local).

Mãe e filho <3

Mãe e filho <3

Emoção

Emoção

Interior da igreja passando por reformas.

Interior da igreja passando por reformas.

O resultado da minha experiência na Palestina foi absolutamente surreal. Não foi fácil ver e ouvir as manifestações dos palestinos quanto à impossibilidade de ir e vir, às dificuldades para desenvolver o turismo no local e à indignação em razão do desenvolvimento dos “settlements” israelenses em áreas palestinas situadas às margens do muro da separação e que ficou do lado de Israel. O alento se deveu à simpatia do povo (até ganhei um imã numa loja), dos quase inexistentes índices de violência urbana e da esperança em dias melhores.

Tenho vontade de um dia retornar a esse lugar. <3