Category Archives: Viagem

O Caminho Brasileiro de Santiago de Compostela

Em dezembro de 2017, eu e uma amiga fizemos o Caminho Brasileiro de Santiago de Compostela, na cidade de Florianópolis-SC. Para mim, foi uma grande alegria poder, no meu próprio país, caminhar esse percurso de tanta simbologia, religiosidade e fé.

Há quem se pergunte: como assim, Carol? O Caminho de Santiago não tem seus traçados apenas no continente europeu? Não. Essa é uma informação super recente. Explico:

Diante da presença cada vez maior de brasileiros realizando o Caminho de Santiago, dois brasileiros-peregrinos idealizaram o projeto e pleitearam junto à autoridade religiosa competente da cidade de Santiago de Compostela um trecho em território nacional. Eis que em junho de 2017, depois da confirmação, o Caminho Brasileiro foi aberto em Floripa. Para nossa alegria! 😀 Assim, quem quiser, poderá caminhar o trecho em território nacional, e complementar o percurso de 100 km em território espanhol, iniciando em La Coruña até Santiago de Compostela, para obter a Compostelana (certificado de peregrinação). 

Pois bem, aproveitando um convite antigo de uma amiga para visitar Floripa, resolvemos conciliar as ideias e realizar o trecho, de 21 km, entre a praia de Canasvieiras, na Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, e o Santuário Sagrado Coração de Jesus. Durante o percurso, que pode ser feito um dia, passamos por paisagens absolutamente belas – de encher os olhos, o coração e a mente. 

Imagem do trajeto extraída do folder disponível na internet sobre o Caminho Brasileiro.

Para formalizar o ato, recomenda-se adquirir a credencial do peregrino na própria Igreja Nossa Senhora de Guadalupe e, ao passar por outros três pontos, receber o carimbo nas igrejas que acompanham o trajeto. Na sequência: Igreja Nossa Senhora de Guadalupe (1º carimbo) – Igreja de São Pedro (2° carimbo) – Igreja Nossa Senhora dos Navegantes (3° carimbo) – e Santuário Sagrado Coração de Jesus (4° carimbo). Foi o que fizemos. 

Todo o caminho é sinalizado, mas quem quiser, é também aconselhável pegar o folder com as informações sobre o caminho disponível na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, ponto inicial do percurso ou imprimi-lo antes pela internet neste link. Ele é dinâmico e oferece de forma detalhada cada etapa a ser vivenciada, com observações do tipo 1ª e 2ª opção de trajetos. 

Eu fiz o caminho dispondo de uma pequena mochila onde coloquei água e castanhas. Não utilizei bastão, nem botas de trilha, mas é interessante o seu uso, especialmente se o peregrino optar por fazer a Trilha do Morro do Rapa. Nós fizemos essa trilha e UAU! Que vista! Recomendo, mas atenção pois ela é classificada no nível difícil de dificuldade.

Aqui uma outra informação útil: durante o trajeto, é possível encontrar opções de parada para lanches leves. No primeiro estabelecimento, além de usar o banheiro do local, comi açaí. No segundo, empanadas com cerveja. Por que peregrinar não é sinônimo de sofrer, certo!? 😉

Maiores informações/dúvidas, podem ser perguntadas aqui nos comentários. Ficarei feliz em responder. :)

Outros sites que tem falado sobre o assunto:

El país

Página do Caminho Brasileiro no facebook

Site da Associação Catarinense dos Amigos do Caminho de Compostela

Buen Camino! Bom Caminho!

A Havana que eu imaginava e a Havana que nós encontramos

O que Havana e, Cuba, de um modo geral transmitem ao mundo, todos devem estar cansados de saber: Rum, propaganda do regime de Che e Fidel, Mojito, prédios históricos, carros antigos, musicalidade, Daiquiri, Malecón <3, etc...

Combinando em Havana :)

Combinando em Havana :)

Degustação de rum, um dos maiores produtos de exportação de Cuba, no museu do Rum, em Havana.

Degustação de rum, um dos maiores produtos de exportação de Cuba, no museu do Rum, em Havana.

O tradicional Mojito do La Bodeguita Del Medio (lugar que ficou conhecido pelo seu mais famoso frequentador: Hemminway)

O tradicional Mojito do La Bodeguita Del Medio (lugar que ficou conhecido pelo seu mais famoso frequentador: Hemminway)

Preparação de Daiquiri, no famoso La Floridita, também devido ao cliente fiel Hemminway.

Preparação de Daiquiri, no famoso La Floridita, também devido ao cliente fiel Hemminway.

Curiosa imagem no nosso caminho de todo dia entre o Centro de Habana e a Habana Vieja

Curioso registro no nosso caminho de todo dia entre o Centro de Habana e a Habana Vieja.

O que eu e, talvez, você não sabia, é que por trás dessa Cuba já, digamos, tradicional, há muitas outras sensações e sabores a descobrir. Eu tive a alegria de experimentar algumas delas e compartilho agora nesse espaço que alimento com tanto carinho um pouco do que vivi naquela ilha do Caribe.

Desde já, digo que nossas maiores fontes de pesquisa foram o guia de viagem da Lonely Planet (comprei a versão em inglês, pois não achei em português) e posts de viagem atualizados na internet.

Daquele guia, pegamos quase todas as dicas sobre onde comer e beber em Havana. Como dois digamos, “problemáticos” (rs) que somos quando o assunto é comer e beber fora, optamos por seguir recomendações mais “seguras” sobre o assunto. Visitamos o muito bom La Guarida e não nos arrependemos. A entrada do prédio onde se localiza esse restaurante é bastante incomum. Pense num prédio abandonado com paredes caindo o reboco. É assim a entrada do La Guarida… até você subir os degraus que dão acesso aos salões onde turistas, especialmente, se amontoam para acessar uma mesa, previamente reservada, e se deliciar com a excelente comida e também vista especial de Havana.

Entrada do La Guarida

Entrada do La Guarida

Vista de um dos salões do La Guarida

A partir do guia Lonely Planet tivemos acesso também à região da Fusterlândia, um excêntrico bairro todo adornado em ladrilhos. Segundo o seu idealizador, José Fuster, uma homenagem ao espanhol Gaudi. :)

A Fusterlândia fica a uma boa distância de Habana Vieja e do Centro de Habana. Optamos por nos deslocar até lá de carro, com preço previamente acertado com o gentil motorista, que nos levou e ainda nos esperou para trazer de volta à zona mais movimentada.

Só não aproveitamos mais, porque justamente naquele dia, caiu uma chuva que insistia em não nos dar uma trégua. Passamos um bom tempo dentro de uma galeria, esperando São Pedro colaborar com o nosso passeio. 

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Como bons fãs de arte de rua que somos, não nos passou despercebido alguns grafites e murais espalhados por Havana. Foi uma grande surpresa ver uma arte “moderna” misturada a prédios históricos necessitados de restauração. Incrível!

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Arte de rua em Havana

Arte de rua em Havana

Cuba, já sinto muitas saudades! Espero um dia te reencontrar e me surpreender mais e mais. <3

Viajar à Cuba foi mais fácil do que eu imaginava

Eu escrevo esse post ouvindo “Buena Vista Social Club” e recomendo, de verdade, que você se permita conhecer um pouco da música de raiz cubana. “El Cuarto de Tula” é sinergia pura. Incrível! Não se espante se quiser começar a imediatamente mexer o quadril e/ou os ombros. Cuba é musicalidade, corpos em movimento, instrumentos musicais por todo lugar que se olhe.

Eu me senti muitíssimo bem acolhida na terra dos irmãos Castro. A começar, quando fui tirar o visto, aqui mesmo, na embaixada de Cuba, em Brasília. Com uma ligação, a atendente me informou que eu deveria pagar primeiro uma taxa de aproximadamente R$ 60,00 (sessenta reais) e dois dias depois comparecer à embaixada, com meu passaporte, esse formulário preenchido e as cópias da passagem aérea (ida e volta) e da reserva de hospedagem. Pronto! Quando compareci ao local, já saí com meu visto em mãos. Fácil, fácil! É possível também fazer o pedido de visto não presencial. Veja aqui como.

Embaixada de Cuba em Brasília

Embaixada de Cuba em Brasília

Na sequência, ao pousar em Havana (meu vôo foi operado pela Copa Airlines – Brasília/Panamá/Havana), mais facilidade e tranquilidade. Isso me chamou a atenção, porque nas últimas vezes que entrei em um país sozinha, passei por quase uma “sabatina” e, nada disso, aconteceu em Cuba. Ao contrário.

Pronta para o embarque :)

Pronta para o embarque :)

Sobrevoando a Ilha de Cuba <3

Sobrevoando a Ilha de Cuba <3

Não passou desapercebido da minha atenção as meias arrastão combinadas com as micro-saias das atendentes do aeroporto, e, convenhamos, nada normal para um país isolado e fechado, pensava eu.

No aeroporto de Havana... (além das propagandas de governo, as de bebidas rum e cerveja foram as únicas que avistei)

No aeroporto de Havana… (além das propagandas do governo, as de rum e cerveja foram as únicas que avistei)

Aproveitei que esperava o vôo do meu namorado pousar em Havana, para trocar os euros que havia levado por pesos cubanos conversíveis (a moeda usada pelos turistas em Cuba). Um peso cubano conversível é equivalente ao dólar americano. No entanto, levar a moeda norte-americana não é bom negócio, pois sobre a transação incide uma taxa extra de, salvo engano, 10%. 

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Notas de peso conversível

Para o turista brasileiro mais desavisado, Cuba pode parecer um destino de viagem mais caro. No entanto, aqui também vale a máxima do “quem converte não se diverte”. O que posso garantir é: vale cada centavo investido! 

O aeroporto de Havana fica um pouco distante das regiões mais turística da cidade, que são Habana Vieja (essa sem dúvidas, a mais turística e onde se deve ficar hospedado se o objetivo é realmente sentir a “alma cubana”), Centro Habana (onde ficava nosso airbnb, próximo ao Malecón, e apenas alguns minutos a pé de Habana Vieja) e Vedado (região mais residencial). Então acertamos um serviço de transfer com o nosso host, o qual estava pontualmente à nossa espera no horário combinado.

Vista do Malecón a partir do nosso apartamento alugado pela plataforma airbnb

Vista do Malecón a partir do nosso apartamento alugado pela plataforma airbnb

Aquele seria apenas o primeiro dia, de uma semana, na histórica Cuba. <3

 

Petra

Impossível não ficar boquiaberto diante do que se ver em Petra. Não à toa, ela foi escolhida como uma das Sete Maravilhas do Mundo Contemporâneo.

Quando planejávamos nossa viagem por Israel, nos demos conta, através das pesquisas em sites de turismo local, que haveria como fazer um passeio de dois dias à Jordânia, passando por Amam e Petra. Confesso que conhecer Petra não estava na minha top-list de viagem. Mas diante daquela possibilidade real, comecei a ler e me informar o máximo possível sobre o local e, posso dizer: me encantei!

Chegando em Petra, minha reação não foi outra além de ficar boquiaberta a maior parte do tempo, não só pela impressionante beleza conservada do lugar, mas também pelo esforço físico no acesso aos seus pontos-chave.

Veja as fotos abaixo e me diga se eu tinha ou não razão em assim reagir!?

Durante o caminho até o segundo

Durante o caminho até o segundo “ponto-chave” de Petra, existem muitos vendedores dos mais diversos itens, como por exemplo, de suco de romã à ímã de geladeira.

Obrigada, Deus, por colocar diante desses olhos tanta beleza.

Obrigada, Deus, por colocar diante desses olhos tanta beleza! <3

Para pessoas com mobilidade reduzida ou problemas no joelho, como eu, há alternativas de transporte dento da cidade-rosa.

Para pessoas com mobilidade reduzida ou problemas no joelho, como eu, há alternativas de transporte dentro da cidade-rosa.

Confissão e impressões sobre a Jordânia

Na fronteira entre Israel e Jordânia

Na fronteira entre Israel e Jordânia

Eu preciso confessar que subestimei a Jordânia, por desconhecimento mesmo. 

Esse país do sudoeste asiático me chamou a atenção, num primeiro momento, por ter no seu território uma das Novas Maravilhas do Mundo Moderno – Petra. Depois de dois dias circulando de ônibus por seu território, pude perceber que o Reino Haxemita da Jordânia, seu nome oficial, vai muito além disso. Abaixo listo algumas impressões…

Diante do Tesouro, em Petra

Diante do Tesouro, em Petra

a) É um país de maioria muçulmana que bem convive com praticantes de outras religiões. O nosso guia, inclusive, era cristão;

Aman, a capital do país

Aman, a capital do país

b) Os jordanianos possuem grande apreço pela família real (a Jordânia é uma monarquia constitucional). A rainha Rania Al Abdullah é bastante conhecida, mundo a fora, por sua beleza e estilo;

c) A Jordânia é um país aberto aos refugiados, em sua maioria vindos da Síria e da Palestina;

d) É na Jordânia que se encontram preservados os maiores sítios arqueológicos relacionados ao império romano, fora de Roma;

e) É pela Jordânia que os palestinos acessam ao Território Palestino quando viajam de avião para outros países, já que muitos deles tem a entrada vedada em Israel;

f) Os jordanianos conseguem entender mais português do que podemos imaginar. Em conversas, ele me reportaram algumas semelhanças.

Eu continuo sem entender nada de árabe... rs

Eu continuo sem entender nada de árabe… rs

Porque eu fui à Palestina

Quando começamos a planejar a viagem para Israel, eu tinha uma certeza: queria visitar o local do nascimento de Jesus. Como sabemos, Jesus nasceu em Belém. Até então, o que não havia realizado é que Belém faz parte da Palestina, e que, portanto, está separada de Jerusalém pelo fatídico muro da separação.

Meu namorado, bem mais entendido das questões do Oriente Médio, do que esta que aqui escreve, já tinha conhecimento que esse mesmo muro é recheado de arte urbana, mais precisamente, de grafite, e que, naqueles dias em que estaríamos em Belém, o hotel que se atribui a Banksy abriria suas portas para visitação.

Resolvemos, então, juntar tudo e contratar um guia local para nos acompanhar durante parte desse dia.

Combinamos que nos encontraríamos no CheckPoint 300, já do lado Palestino. Aqui um outro adendo: CheckPoint 300 é como é conhecido um dos numerosos postos de controle israelenses que restringem e controlam a passagem entre as áreas autônomas Palestinas e Israel.

De Jerusalém, pegamos em frente ao Portão de Damasco, o ônibus 24 em direção a Belém. De pronto, pudemos observar a maioria de muçulmanos a ocupar os assentos. Natural.

Bilhetes de ônibus que pegamos em Jerusalém rumo a Belém

Bilhetes de ônibus que pegamos em Jerusalém rumo a Belém

A viagem seguia um misto de ansiedade e tensão. Ansiedade pelo que estávamos à beira de presenciar e tensão, pela incerteza da passagem no checkpoint. Foram mais ou menos 30 minutos do Portão de Damasco até o checkpoint 300.

Descemos do ônibus e já fomos logo entrando no checkpoint. Não fomos parados em nenhum momento pelos policiais israelenses que estavam no local. Passamos seguindo o fluxo dos palestinos, que tinham acesso ao lado israelense da “fronteira”.

Enfim do lado palestino, a visão que se tem é do muro e de vários táxi e taxistas ansiosos pelos turistas que se aventuram em busca das obras de Banksy espalhadas por Belém. Alguns deles já te abordam oferecendo o serviço.

Depois do encontro com nosso guia, começamos a explorar: apreciamos os grafites espalhados pelo muro, visitamos um campo de refugiados, comemos com os locais um pita, tomamos cerveja palestina e, por fim, o hotel de Banksy, antes de seguir para a Igreja da Natividade.

Uma pergunta que muitos me fizeram foi quanto à segurança no West Bank (essa área do muro). A minha resposta foi que eu não me senti insegura em nenhum momento junto aos palestinos. Para ser sincera, o único instante em que o medo quis tomar conta, foi quando eu me aproximei do muro, mas precisamente, de um portão rende à torre de fiscalização, e ouvi um barulho como se ele fosse se abrir. O receio, na verdade, era quanto a quem me observava das torres, e não de quem encontrava em solo.

Entrada do campo de refugiados, com a presença da ONU no local. (A chave faz referência às chaves das casas que os palestinos levaram consigo quando forçados a deixar o local onde moravam em razão da pressão israelense).

Entrada do campo de refugiados, com a presença da ONU no local. (A chave faz referência às chaves das casas que os palestinos levaram consigo quando forçados a deixar o local onde moravam em razão da pressão israelense).

Grafite e ursinho no campo de refugiados que margeia o muro.

Grafite e ursinho no campo de refugiados que margeia o muro.

Entrada do hotel de Banksy

Entrada do hotel de Banksy

Visão de dentro para fora do hotel de Banksy. Dizem o hotel com a "pior vista do mundo".

Visão de dentro para fora do hotel de Banksy. Dizem o hotel com a “pior vista do mundo”.

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Fragmento do museu que há dentro do hotel

Fragmento do museu que há dentro do hotel

Um dos grafites de Banksy espalhados por Belém

Um dos grafites de Banksy espalhados por Belém.

Cerveja Palestina

Cerveja Palestina

Imagem exterior da Igreja da Natividade que passa por reforma e o detalhe da porta bem pequena por onde se entra na igreja. (Os carros de polícia se deveu à presença de um presidente de um país, que eu não lembro o qual, no local).

Imagem exterior da Igreja da Natividade que passa por reforma e o detalhe da porta bem pequena por onde se entra na igreja. (Os carros de polícia se deveu à presença de um presidente de um país, que eu não lembro o qual, no local).

Mãe e filho <3

Mãe e filho <3

Emoção

Emoção

Interior da igreja passando por reformas.

Interior da igreja passando por reformas.

O resultado da minha experiência na Palestina foi absolutamente surreal. Não foi fácil ver e ouvir as manifestações dos palestinos quanto à impossibilidade de ir e vir, às dificuldades para desenvolver o turismo no local e à indignação em razão do desenvolvimento dos “settlements” israelenses em áreas palestinas situadas às margens do muro da separação e que ficou do lado de Israel. O alento se deveu à simpatia do povo (até ganhei um imã numa loja), dos quase inexistentes índices de violência urbana e da esperança em dias melhores.

Tenho vontade de um dia retornar a esse lugar. <3

O que fazer em Jerusalém

Não foi fácil decidir como dividiríamos o nosso tempo em Jerusalém. Queríamos aproveitar ao máximo. Nos planejamos, pesquisamos e esse foi o resultado do que conseguimos fazer em 4 dias completos nessa incrível cidade santa, e que também nos serviu de base para a realização de outros passeios a Jordânia (Aman, Jerash e Petra), a Belém e a Masada/Ein Gedi/Mar Morto. <3

Experiência israelense

Experiência israelense

1º Dia:

A chegada a Jerusalém foi tranquila, passada a sensação inicial de desconforto no aeroporto Ben Gurion em Tel Aviv. Digo isso, porque fui abordada e “sabatinada” por agentes de segurança tão logo saí do avião, e ainda no controle de passaporte, por outros tantos minutos. A minha impressão foi que esse controle excessivo se deveu ao fato de que eu entrei em Israel sozinha. Fazer o quê!? Mulheres jovens viajando sozinhas ainda são vistas de uma forma “diferente” em países não tão “fechados” como Israel, imagine então…

Saindo do aeroporto Ben Gurion em Tel Aviv, logo à direita, peguei um Sherut, que é tipo uma “lotação”, como conhecemos aqui no Brasil, em que você indica onde quer parar. No meu caso, eu indiquei que iria para Jerusalém e ficaria no The Post Hostel. E assim aconteceu.

 

O primeiro impacto ao chegar em Jerusalém, ao entardecer de uma quinta-feira, foi ver o sol refletir sobre aqueles edifícios de cor bege predominante, especialmente, na parte muralhada da cidade. Lindo!

Depois que me aloquei no hostel, não senti mesmo disposição para explorar a cidade. Estava frio. Sim, Jerusalém em março, para os meus padrões nordestinos, é uma cidade fria.

Resolvi então adentrar na culinária do Oriente Médio e comi um shakshuka, no próprio hostel, que, por sinal, estava deliciosa.

 

2º Dia:

Em Jerusalém, não tem jeito, haverá a necessidade de você contratar um serviço de guia em algum momento. Por isso, aproveitei o Free Walking Tour que saía do Portão de Jaffa, um dos mais conhecidos da cidade muralhada, para ter uma visão geral do local.

Vista da cidade muralhada nas proximidades do Portão Jaffa

Vista da cidade muralhada nas proximidades do Portão Jaffa

Foram 2 horas de tour, onde tivemos a oportunidade de passar pelos bairros armênio, judeu, muçulmano e cristão. Eles são ligados uns aos outros. A diferenciação ficará por conta das construções e do perfil que você ver caminhando pelas ruas estreitas. Incrível!

Judeus ortodoxos nas ruas de Jerusalém

Judeus ortodoxos nas ruas de Jerusalém

Nesse mesmo dia, aproveitei que todos estavam se preparando para o Shabbat, período de tempo guardado pelos judeus, que começa, basicamente, no pôr do sol de sexta e se estende até quando as 3 primeiras estrelas despontam no céu do sábado, por volta das 19h, e contratei um “Shabbat experience”, para conhecer um pouco mais da cultura judaica. Experiência absolutamente interessante.

Em frente à placa do Muro das Lamentações

Em frente à placa do Muro das Lamentações

3º Dia:

Passados um dia e meio em Jerusalém, eu comecei a me adaptar um pouco mais ao ritmo da cidade. Não sei explicar. Talvez seja exatamente o que ouvi de uma expatriada em Jerusalém. Disse ela que é tanta “energia” junta, se referindo à religiosidade das pessoas, que, eventualmente, certas coisas podem não funcionar normalmente, a exemplo do TRAM que para de uma hora para outra, porque alguém teve uma “crise” dentro de algum dos vagões. Isso eu presenciei!

No 3º dia, fiz a minha Via Dolorosa.

É no Lions' Gate que se inicia a Via Dolorosa

É no Lions’ Gate que se inicia a Via Dolorosa

Neste dia ainda, fomos conhecer a “Old train station”, conjunto de bares e restaurantes um pouco afastados da cidade muralhada.

4º Dia:

Descobrimos que uma vista imperdível de Jerusalém no Austria Hostel, que fica próximo a uma das estações da Via Dolorosa. Para ter acesso a ela, paga-se um valor.

Vista de Jerusalém a partir do Austria Hostel

Vista de Jerusalém a partir do Austria Hostel

Na sequência, saímos para mais explorar um pouco mais a Holy City, através de um serviço guiado. Visitamos novamente o Muro das Lamentações, a Dome of the Rock, Igreja do Santo Sepulcro, Via Dolorosa , os portões de Jerusalém, a sala da Santa Ceia, etc…

Dentro da Igreja do Santo Sepulcro (emoção)

Dentro da Igreja do Santo Sepulcro (emoção)

5º Dia:

Devido a uma mudança na programação, passamos um pouco mais de tempo em Jerusalém, oportunidade em que tivemos para visitar o Museu do Holocausto, chamado de Yad Vashem. Passamos umas boas horas, circulando por entre tantas recordações tristes de histórias e vidas que foram mudadas para sempre pelo projeto de poder inescrupuloso de uns poucos. A entrada no museu é franca e ele é facilmente acessado pelo TRAM que circula por Jerusalém.

A única foto que consegui tirar no Museu do Holocausto (ainda fora)

A única foto que consegui tirar no Museu do Holocausto (ainda fora)

Por mais que tentássemos, não conseguimos ver tudo o que queríamos nessa incrível cidade. Já cientes disso, não nos frustamos e aproveitamos o máximo que pudemos. Se alguém me perguntasse, sim, eu gostaria de voltar. Jerusalém é lugar para se estar não importa o clima, a idade ou o motivo. <3

Jerusalém em imagens

Uma contemplação inicial, através de imagens, da cidade mais intensa que já tive o prazer de apor meus pés.

Jerusalém, foi impossível não me render ao seu encanto. <3

"Jerusalém: o centro do mundo"

“Jerusalém: o centro do mundo”

Dome of the Rock

Dome of the Rock

Muro das Lamentações

Muro das Lamentações

No bairro armênio

No bairro armênio

Via Dolorosa

Via Dolorosa

Seguindo os passos de Jesus na Via Dolorosa

Seguindo os passos de Jesus na Via Dolorosa

Venda de camisetas no bairro muçulmano

Venda de camisetas no bairro muçulmano

Na entrada do museu do Holocausto

Na entrada do museu do Holocausto

Como foi passar três dias e duas noite no meio da Floresta Amazônica

Uma grande satisfação na minha vida tem sido a reconexão com a natureza e a descoberta do seu poder curativo e de troca de energia. Foi, por isso, que numa viagem ao Amazonas, eu não hesitei e me permiti passar alguns dias totalmente imersa na floresta, em contato com comunidades ribeirinhas, árvores gigantescas, espécies selvagens e muita, muita água doce por todos os lados.

Depois de algumas pesquisas, descobri que poderia fazer isso a um custo razoável, sem deixar de ter um certo conforto nos transportes e habitação, além do que, teria a segurança que alguém experiente me conduziria às mais incríveis experiências. Contratei a empresa Iguana Turismo, por meio da parceria com o Local Hostel, o hostel em que eu hospedei quando estive na cidade de Manaus.

No total, foram três dias e duas noites totalmente imersa na Floresta Amazônica, mais precisamente no Rio Juma, sem qualquer acesso à sinal de celular ou internet. Queria ter passado mais tempo, mas esses dias foram suficientes para me dar um gostinho da experiência amazônica e, sim, querer voltar outras vezes.

1º dia:

* A saga para chegar no rio Juma

A sequência foi exatamente essa: kombi até o porto da Ceasa – lancha para atravessar o rio Negro – kombi novamente – lancha até o nosso hotel de selva. No total, foram aproximadamente 3 horas de muita emoção e aventura.

Local em que fazíamos as refeições e de onde partia nossa lancha para os passeios.

Local em que fazíamos as refeições e de onde partia nossa lancha para os passeios.

Detalhe do dormitório coletivo com os mosquiteiros ;)

Detalhe do dormitório coletivo com os mosquiteiros ;)

Bangalôs individuais

Bangalôs individuais

* Pescando piranhas

Depois que chegamos no hotel de selva, nos acomodamos, almoçamos e no meio da tarde saímos para um passeio de lancha e pescar piranhas. E, sim, eu pesquei uma pra contar história, e essa não é de pescador. :)

* Focagem de jacaré

Essa foi a parte em que eu senti um certo medo. Nosso guia foca com a lanterna nos olhos do jacaré, o qual perde por alguns segundos a capacidade de enxergar. É nesse momento que o animal é capturado com todo o cuidado e sem qualquer risco, nem para ele ou para o humano. Tentei segurar o jacaré com minhas próprias mãos, mas temendo qualquer movimento do bichano e reação distraída de minha parte, preferi deixá-lo aos cuidados dos experientes guias. Pelo menos, toquei no bichinho antes de ele ser colocado novamente no rio.

A prova

2º dia:

* Contemplando o nascer do sol

Não há muito o que dizer…quem sabe sentir através dessas imagens a beleza do momento. Valeu a pena acordar às 5:20 da manhã. E como. <3

No caminho até a parada da lancha no meio do Juma

No caminho até a parada da lancha no meio do Juma

* Caminhada na selva

Depois de acompanhar o nascer do sol, voltamos para o hotel, tomamos café e, na sequência, saímos para uma caminhada na selva. Vimos de tudo um pouco: de formigas que podem ser usadas como repelentes naturais, pulseira feita com folhas de árvores locais a animais diversos, especialmente pássaros. Ainda fomos brindados com uma chuva a lá Amazônia sobre nossas cabeças, o que nos fez correr em disparada até a lancha para retornar ao hotel.

Flor da castanheira

Flor da castanheira que encontramos no meio do caminho

Nosso guia Chitão fazendo minha pulseira. :)

Nosso guia Chitão fazendo minha pulseira. :)

Árvores que tanta vida nos dá.

Árvores que tanta vida nos dá.

 * Banho de rio

Como não poderia deixar de ser, me joguei nas águas do rio Juma. Tudo bem, entrei com minha peculiar cautela em si tratando de água e profundidade, mas não podia deixar a chance passar. Também fiquei na espreita de um casal de botos, que aqui acolá apareciam, me assustarem. Mas eles não mais apareceram.

Um brinde! :p

Um brinde! :p

* Dormindo na selva

Era chegada a tardezinha e começamos a nos preparar para passar a noite acampados no meio da floresta. Nosso guia, acostumado com essa experiência, tinha tudo preparado: as nossas redes com seus respectivos mosqueteiros; um frango, que seria assado com o auxílio das estacas coletadas na própria floresta; algumas cervejas para embalar as conversas à beira da fogueira; o pó do café que serviria para o café da manhã no dia seguinte, assim como as bolachas de água e sal.

Para chegar ao nosso acampamento (leia-se: a estrutura de palha que cobriria nossas cabeças), pegamos uma lancha e velejamos por aproximadamente 1 hora. Chegando no local, ajudamos a descarregar os aparatos que havíamos levado, “armamos” nossas redes e ajudamos a preparar o jantar. Conversa vai, conversa vem, o sono chegou e junto com ele a expectativa de dormir com o som dos mosquitos e do balançar das folhas. Fora o receio de sair da rede durante a noite e se deparar com um animal selvagem. Vai que… 

Quando o dia amanheceu, era incrível perceber a sensação de paz, tranquilidade e serenidade que nos invadia.

Visão a partir da cabana

Visão a partir da cabana

Rede com mosquiteiro

Rede com mosquiteiro

Nosso guia em ação

Nosso guia em ação

O jantar :p

O jantar :p

Café da manhã na selva

Café da manhã na selva

Café na cuia.

Café na cuia.

3º dia:

* Visita à casa de caboclo

Depois do café da manhã, nos organizamos para deixar o acampamento e visitar a casa de um caboclo da região. 

Eu e Chitão, nosso guia nota 10!

Eu e Chitão, nosso guia nota 10!

Na verdade, a figura que mais me impressionou, foi uma cabocla, de nome Nazaré, com seus quarenta e poucos anos e seus 14 filhos (!).

Ouvimos e contamos histórias. É incrivelmente fantástico tentar entender como aquelas pessoas vivem isoladas de tudo e de todos, sem qualquer tecnologia, a não ser o pequeno sinal de rádio que lá chega. Comprei um par de brincos e uma pulseira de semente de açaí feita pela família da Dona Nazaré e foi apenas isso, além das memórias, que fotografei do local.

* Hora da despedida

Depois de três dias convivendo com pessoas diferentes e em um lugar totalmente diverso do seu habitat natural, é natural que a intensidade do momento gere uma despedida mais saudosa. Foi assim que eu me senti.

Felizmente, restaram as trocas de contatos de telefone e redes sociais para que as memórias não se percam por completo.

<3

<3

Razões para conhecer a Amazônia Brasileira

Estamos cansados de comentar que nós, brasileiros, não conhecemos a Amazônia. Resolvi há algum tempo sair dessa estatística que pouco me orgulhava. Afinal, eu, nascida tão pertinho, não a conhecia.

Não! Não é preciso grandes planejamento ou investimento financeiro para conhecer a floresta, apesar de lá haver opções das mais diversas e para todos os gostos e bol$o$. Diria eu que, um punhado de boa vontade e sorte em encontrar uma promoção de passagem aérea já são mais do que suficientes para se chegar na região Norte do Brasil. E foi isso o que aconteceu comigo.

Em janeiro deste ano (justo quando eclodiu aquele problema carcerário no local, lembra?), passei seis dias, divididos entre Manaus e um hotel de selva no meio da Floresta, mais precisamente nas margens do Rio Juma. E, sim, eu fui sozinha!

Vivi uma das mais incríveis experiências da minha vida por lá e aqui estão algumas das razões pelas quais eu recomendo fortemente incluir Manaus e região nos próximos roteiros de viagem:

1) A chegada na capital Amazonense é uma das mais incríveis que meus olhos já viram.

Reparem no mundaréu de água doce

Reparem no mundaréu de água doce

2) Manaus é bastante rica em cultura e história. Esta cidade, por exemplo, foi a primeira capital a ter energia elétrica no Brasil. Andando por suas ruas e praças, é fácil perceber os prédios históricos coloridos a enfeitar ainda mais o lugar.

Vista do Largo de São Sebastião. a partir do Teatro Amazonas.

Vista do Largo de São Sebastião. a partir do Teatro Amazonas.

 3) Manaus é cheia de arte urbana, especialmente o grafite. A cada esquina é possível encontrar murais com referência à cultura indígena.

4) Vale a pena experimentar a culinária local. Eu gostei bastante do x-caboquinho, sanduíche recheado com queijo coalho e tucumã, uma fruta da região bastante rica em vitaminas A, B e C. Dizem que ela tem 90 vezes mais vitamina A que o abacate. 😮

Salivei! :p

Salivei! :p

5) Você tem a possibilidade de conhecer e se conectar um pouco mais com as suas origens, como por exemplo, visitando reservas indígenas.

Visitando uma reserva indígena próximo a Manaus

Visitando uma reserva indígena próximo a Manaus

6) É possível viver experiências na selva de forma segura e organizada (vou escrever mais sobre num próximo post), e sem pagar muito por isso.

Contemplando o nascer de um novo dia no meio da Floresta Amazônica

Contemplando o nascer de um novo dia no meio da Floresta Amazônica (eu de chapéu e blusa amarela) \o/

 7) São várias as surpresas ao longo do caminho. A Amazônia é superlativa.

Encontro casual ;)

Encontro casual ;)

8) Na região, o intercâmbio cultural é intenso.

Na foto, temos: brasileiros, uruguaio, iraniano, chinesa e guianense

Na foto, temos: brasileiros, uruguaio, iraniano, chinesa e guianense